Fiep reforça urgência da retomada de voos em PG e sugere construção de novo aeroporto
O superintendente João Arthur Mohr avalia que voos são indispensáveis para atrair investimentos no município; entretanto, o Aeroporto Sant'Ana seria somente uma solução "temporária" para o crescimento de Ponta Grossa

Ponta Grossa vive hoje um ciclo histórico de atração de investimentos para o setor industrial. Contudo, a sua expansão sustentável ainda depende de um diferencial competitivo: a oferta de voos comerciais. Em entrevista ao Grupo aRede, João Arthur Mohr, superintendente da Federação de Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), compartilhou sua opinião sobre o atual estado do Aeroporto Sant'Ana e avalia que a solução a médio a longo prazo para o desenvolvimento de Ponta Grossa seria a construção de um novo aeroporto.
Mohr acompanha as tratativas sobre a ampliação da pista, mas afirma que, pela pujança do município, é preciso de um aeroporto melhor. "O Aeroporto Sant'Ana não tem como crescer muito", opina. O gestor pondera que o terreno já está restringido para o lado da PR-151, mas há possibilidades de expandir o aeroporto no sentido do bairro (Cará-Cará).
"Ao retirar a linha do trem e fazer um novo traçado para ampliar a pista, é importante que a Prefeitura e o Governo do Estado façam as obras para que a gente possa ter melhores condições", diz. Mohr avalia que a região precisa de espaço para voos de aviões com motores à jato, pois a Azul, companhia que encerrou seus serviços na cidade no último ano, utilizava somente aviões turboélice.
Horário dos voos
O resgate dos voos que já existiam na cidade é uma necessidade. Sem esta oferta desde março de 2025, Mohr enfatiza a importância dos voos para grandes centros do país, como São Paulo (SP), mas diz que a compatibilidade de horários também é um desafio para o Aeroporto Sant'Ana. "Não adianta fazer voo no meio da tarde. Precisamos entender a necessidade das pessoas que querem sair de Ponta Grossa pela manhã e retornar à noite". No entanto, a localização do aeroporto traz um obstáculo: a formação de neblina, intensificada pela proximidade com o Rio Tibagi, impedia a oferta de alguns voos matutinos.

Novo aeroporto é alternativa em estudo
Para ele, o aeroporto está diretamente ligado à pauta do novo contorno rodoviário de Ponta Grossa. À Redação, Mohr se posicionou contrário ao trajeto proposto pela PR Vias, e avalia que o desenho proposto pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (Cdepg), que visa o afastamento do traçado e o uso da Rodovia do Talco como alternativa para pavimentar o contorno é a opção mais positiva para o futuro do município. "Se aproximar o traçado da cidade, você corta a região. Isto impediria a instalação de um novo aeroporto em Ponta Grossa, que é uma das opções em estudo", conta à reportagem.
Investidores questionam oferta de voos
A equipe de Jornalismo questionou o superintendente sobre a perspectiva das indústrias para 2026, reveladas na 30ª Sondagem Industrial feita pela Fiep. Na pesquisa, alguns desafios foram levantados por empresários, e a reportagem buscou entender como a logística de voos impacta na expansão do setor em Ponta Grossa. Mohr respondeu que toda indústria que se instala no Paraná questiona sobre a oferta de soluções para distâncias, principalmente marcas internacionais. "Nos perguntam sobre a distância da matéria-prima, do mercado consumidor, do tempo que um executivo ou técnico precisa despender para deslocar rapidamente, quanto tempo leva para chegar até a fábrica", explica.
O gestor enfatiza que a retomada de voos no aeroporto será um divisor de águas e, se Ponta Grossa tem um aeroporto funcional, ela seguirá atraindo investimentos. Ainda assim, Mohr é firme na opinião de que o Aeroporto Sant'Ana é uma solução temporária para a cidade, mas a médio e longo prazo, Ponta Grossa precisará de um aeroporto novo.
Leia um resumo da notícia
- Crescimento industrial exige melhor infraestrutura aérea: Segundo João Arthur Mohr, o atual Aeroporto Sant'Ana tem limitações estruturais e não acompanha a expansão industrial de Ponta Grossa, sendo apenas uma solução temporária.
- Limitações operacionais impactam competitividade: A pista comporta apenas aviões turboélice, há restrições para ampliação e problemas como neblina e horários inadequados prejudicam a oferta de voos — especialmente para centros como São Paulo — afetando a logística e a atração de investidores.
- Novo aeroporto é alternativa estratégica: Mohr defende que, a médio e longo prazo, a cidade precisará de um novo aeroporto, decisão que deve estar alinhada ao projeto do contorno rodoviário para não comprometer futuras áreas de expansão e manter a atratividade industrial da região.




















