Hugo Motta defende o fim da escala 6x1 e diz que projeto é necessário: 'Estamos atrasados'
Presidente da Câmara dos Deputados comparou o debate atual com avanços como a CLT e a abolição, e defende que Brasil atinja novo marco trabalhista

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), assumiu publicamente a defesa do fim da escala de trabalho 6x1 e afirmou que a Casa pretende liderar o debate sobre a redução da jornada no país. A posição foi manifestada tanto em discurso no Plenário quanto em conversa com jornalistas que acompanham o Legislativo. Segundo Motta, o tema se tornou “inadiável” diante das transformações tecnológicas e sociais.
Em entrevista, o deputado negou qualquer tentativa de atrasar a discussão e afirmou que a tramitação das propostas segue critérios regimentais. Ele explicou que o apensamento da PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que trata do fim da escala 6x1, à proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), também voltada à redução da jornada, foi uma decisão técnica para viabilizar o avanço do debate. As propostas foram encaminhadas à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
"Nós temos a consciência de que, com o avanço tecnológico, com tudo que temos hoje como ferramenta de trabalho, a discussão sobre redução de jornada se tornou inadiável. Nós recebemos essa proposta ainda no ano passado, também uma cobrança da própria bancada do PT sobre a PEC do deputado Reginaldo, que já tratava de redução de jornada, então as PECs são correlatas do ponto de vista temático e nada mais natural do que haver esse apensamento que nós fizemos para que a matéria possa tramitar na casa", afirmou o deputado.
REDUÇÃO DA JORNADA COMO PRIORIDADE
O governo Lula considera a redução da jornada de trabalho uma de suas principais prioridades no Congresso em 2026 e deve encaminhar uma proposta própria ao Legislativo nas próximas semanas. Para Motta, o Parlamento deve assumir protagonismo no tema, com apoio do governo e amplo debate nas comissões.
O presidente da Câmara afirmou que a discussão na CCJ e, posteriormente, em uma comissão especial, permitirá amadurecer a proposta e avaliar seus impactos na economia. Ele também ressaltou que a condução do debate será equilibrada, com a escuta de trabalhadores e empregadores, minimizando críticas de setores que apontam riscos econômicos.
“Será a oportunidade de ouvir a todos, a decisão será sempre tomada de maneira equilibrada, ouvindo os trabalhadores, ouvindo também quem emprega, porque é dessa forma que a gente constrói as saídas para os grandes temas de interesse da população”, complementou Motta.
Na avaliação do deputado, as resistências ao tema repetem reações históricas contrárias a avanços trabalhistas no Brasil. Motta comparou o debate atual às críticas feitas, no passado, ao fim da escravidão e à criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), afirmando que, sempre que o país enfrentou essas pautas, os resultados foram positivos.
COMPARAÇÕES HISTÓRICAS E DEFESA DA PEC
Durante discurso no Plenário, após anunciar o envio da PEC à CCJ, Motta reforçou que a escolha por uma proposta de emenda à Constituição é adequada diante da relevância do tema e da necessidade de um debate amplo. Ele voltou a citar a criação da CLT no governo Getúlio Vargas e o processo de abolição da escravidão como exemplos de mudanças que enfrentaram forte oposição, mas trouxeram ganhos ao país.
"Há quase um século, o presidente Getúlio Vargas criou a CLT, com os direitos trabalhistas, a carteira de trabalho, e trouxe dignidade para os trabalhadores. Na época, os eternos pessimistas previram um caos: que o Brasil iria quebrar, que a economia não iria aguentar. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário", finalizou Hugo Motta.
Ao encerrar, Hugo Motta afirmou que, como presidente da Câmara, irá pautar a proposta que põe fim à escala 6x1 e classificou o debate como tardio diante das mudanças no mundo do trabalho. Segundo ele, apesar das críticas, a matéria será conduzida com responsabilidade, com foco em garantir mais dignidade e qualidade de vida aos trabalhadores brasileiros.
Com informações do Congresso em Foco




















