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Reabertura de Ormuz não garante queda imediata nos preços de fertilizantes

Fim temporário do bloqueio traz alívio logístico, mas paralisação de fábricas no Oriente Médio e na Rússia mantém oferta global restrita e custos elevados para o produtor

Apesar da liberação, a produção de insumos no Irã e na Rússia continua comprometida, mantendo os preços em patamares elevados
Apesar da liberação, a produção de insumos no Irã e na Rússia continua comprometida, mantendo os preços em patamares elevados -

Publicado por Eduarda Gomes

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A reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã na sexta-feira (17), viabilizada por um cessar-fogo temporário, trouxe um alento inicial à logística global. Contudo, analistas de mercado são unânimes: a medida não resolverá a escalada nos preços dos fertilizantes no curto prazo. A normalização dos fluxos deve levar meses e o setor enfrenta restrições estruturais que vão além da livre passagem de navios.

Para especialistas da consultoria Argus e da StoneX, a reabertura ocorre sob condições de incerteza. Navios terão que enfrentar uma "rota coordenada" que pode envolver pedágios e tarifas de frete mais altas devido à corrida asiática para reposição de estoques. Além disso, seguradoras e armadores mantêm cautela diante da fragilidade geopolítica da região. As informações são da CNN Brasil.

PRODUÇÃO PARALISADA E OFERTA RESTRITA

O problema central migrou da logística para a produção. Segundo Gisele Augusto, da Argus, três unidades produtivas iranianas estão paralisadas, o que deve zerar a oferta do país em breve. O cenário de cortes na produção se repete em países como Bangladesh, Rússia, Paquistão e Argélia, totalizando uma redução estimada de 2,2 milhões de toneladas na oferta global.

No caso do enxofre, insumo que representa até 20% do custo dos fosfatados, a situação é crítica. Ataques de drones em refinarias no Oriente Médio e danos em plantas russas transformaram a Rússia de exportadora em importadora, reduzindo a disponibilidade mundial. "Normalmente, o Oriente Médio pode exportar quase 20 milhões de toneladas de enxofre por ano", destaca a analista Jasmine Antunes, lembrando que o insumo é essencial para a nutrição vegetal.

IMPACTO NO BOLSO DO PRODUTOR

A deterioração econômica para o campo é evidente na relação de troca, que mede o poder de compra do produtor. Dados da Argus indicam que, no último ano, eram necessárias 34 sacas de grãos para adquirir uma tonelada de fertilizante. Hoje, o produtor precisa desembolsar mais de 72 sacas. Esse aumento de mais de 100% no custo real explica a postura cautelosa do setor.

Além da logística em Ormuz, outras barreiras comerciais pressionam os preços:

- China: Ampliou bloqueios para exportação de praticamente todos os fertilizantes fosfatados.

- Rússia: Suspendeu as exportações de nitrato de amônia até 21 de abril.

- Marrocos: Antecipou manutenções que devem reduzir sua produção exportável em 30% no segundo trimestre.

Dessa forma, a reabertura do estreito atua apenas como um fator pontual. Sem a retomada das fábricas paralisadas e a estabilização dos custos de matérias-primas, o mercado de fertilizantes permanecerá operando com volumes restritos e preços elevados.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Logística Lenta: A reabertura de Ormuz reduz riscos, mas a normalização do transporte de fertilizantes levará meses devido a filas e custos de seguros.

- Quebra de Oferta: O mercado sofre com o fechamento de fábricas no Irã e restrições de exportação na China e na Rússia, reduzindo a oferta em 2,2 milhões de toneladas.

- Custo ao Produtor: A relação de troca saltou de 34 para 72 sacas de grãos por tonelada de fertilizante, refletindo a escassez global de matérias-primas.

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