Entidades de PG unificam ideias pelo traçado do novo contorno rodoviário
O projeto do novo contorno rodoviário de Ponta Grossa tem gerado debates sobre seus impactos econômicos. A proposta busca melhorar a mobilidade e a segurança viária

O projeto do novo contorno rodoviário de Ponta Grossa, que deverá desviar parte do tráfego pesado da área urbana, tem gerado debates sobre seus impactos econômicos. A proposta busca melhorar a mobilidade e a segurança viária, retirando caminhões do perímetro urbano, especialmente da Avenida Souza Naves, mas comerciantes que dependem desse fluxo demonstram preocupação.
Conhecida como o "Entroncamento Rodoferroviário do Sul do Brasil", a cidade conecta o interior produtivo do país ao Porto de Paranaguá. No entanto, o crescimento exponencial do agronegócio e a industrialização acelerada trouxeram o “estrangulamento” do tráfego urbano por veículos pesados. Com a nova concessão das rodovias paranaenses em curso, a discussão sobre o "Novo Contorno" de Ponta Grossa deixou de ser uma pauta técnica para se tornar uma urgência econômica e social.
Ponta Grossa está posicionada onde as BRs 376, 373 e 277 se encontram. Atualmente, o chamado "Contorno Leste" e os trechos urbanos destas rodovias operam no limite da capacidade. A mistura de carros de passeio, ônibus coletivos e bitrens carregados com soja ou insumos industriais cria um cenário de insegurança e lentidão.
Especialistas e lideranças do setor produtivo defendem que a solução ideal passe por um traçado que retire o fluxo de longa distância das áreas densamente povoadas, especialmente nas proximidades da Avenida Souza Naves e do Trecho Urbano da BR-376. A proposta mais robusta tecnicamente aponta para a criação de um "Arco Norte/Oeste". Este traçado conectaria a BR-376 (vinda de Apucarana/Londrina) diretamente à BR-277 (sentido Curitiba/Porto), sem que o caminhoneiro precise interagir com as rotatórias e viadutos internos que hoje servem de acesso aos bairros Santa Paula, Contorno e Nova Rússia.
DEBATE TÉCNICO BUSCA APONTAR MELHORIAS NO PROJETO
A Câmara Municipal de Ponta Grossa e a OAB Subseção de Ponta Grossa promoveram uma audiência públ

ica para discutir as diretrizes técnicas do projeto do Novo Contorno Norte. Em pauta, dois traçados distintos: o proposto pela concessionária responsável pela obra, a Motiva Paraná, e a alternativa construída por entidades da sociedade civil organizada.
Em apresentação técnica para a comunidade, o Conselho de Desenvolvimento Econômico, por meio do diretor de Assuntos Comunitários e Governamentais da Acipg, Ricardo Pimenta da Silva, foi detalhado que o traçado da concessionária passa pela região dos motéis, próximo à malha urbana, o que, segundo as entidades, pode “estrangular” o crescimento de Ponta Grossa. Já uma outra proposta da sociedade civil posiciona o contorno mais ao norte, evitando a fragmentação de áreas em expansão e preservando o planejamento urbano de longo prazo.
O foco central do debate foi a busca por um traçado que cumpra efetivamente a função de contorno rodoviário, garantindo que a nova via não interfira na malha urbana municipal em crescimento.
Durante o encontro, foram apresentados estudos detalhados que defendem uma diretriz técnica de aproximadamente 42,08 km. Essa alternativa busca contornar de forma tangente o perímetro urbano, evitando o seccionamento de áreas residenciais e protegendo o cinturão industrial já consolidado.
Entidades representativas de Ponta Grossa e região, lideradas pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), incluindo a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG), o Sindicato Rural dos Campos Gerais, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan), além de entidades do setor produtivo como a Associação Paranaense de Construtores (APC), Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Sindicato de Hotéis e Gastronomia, Sociedade Rural, entre outras, apontam que o projeto atual da Motiva, ao não contornar efetivamente o perímetro urbano, comprometerá o desenvolvimento da cidade e resultará na má alocação de bilionários recursos públicos.
O presidente da Acipg, Leonardo Puppi Bernardi, fez um alerta contundente sobre os riscos financeiros da decisão. "Gostaríamos de alertar que a aplicação de R$ 1 bilhão numa obra que terá que ser substituída por outro contorno passando pelo local correto já entre 2035 e 2040 é um risco real de má alocação de recurso, e quem pagará seremos todos nós, ao usar e pagar pedágio", afirmou.
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MOTIVA DEVE APRESENTAR PROPOSTA À ANTT
A proposta apresentada pela Motiva Paraná está em fase de conclusão para apresentação do projeto executivo à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que é o Poder Concedente, rito necessário para atender o prazo previsto em contrato. O traçado visa a melhoria da segurança viária, do transporte de cargas e da mobilidade, retirando o tráfego pesado da zona urbana e interferindo o mínimo possível na grande quantidade de cursos d’água e de cavernas da região, fora dos limites da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana.
PROJETO É IMPORTANTE PARA A INTEGRAÇÃO REGIONAL
A importância da infraestrutura das rodovias da região se dá devido à escoação da produção de cidades da região. Da mesma maneira do contorno de Ponta Grossa, outras obras estão sendo realizadas na região para melhorar a integração regional.
A respeito do escoamento, na região, as principais rodovias são a PR-151, PR-090, PR-092, BR-277, BR-373 e BR-376. Atualmente, inúmeras intervenções são realizadas para melhorar a infraestrutura nas estradas.
Na PR-151, no trecho entre Ponta Grossa e Palmeira, está sendo realizada a restauração em concreto em 32,7 quilômetros, com aporte de R$ 257,2 milhões do Governo do Estado.
Além da restauração em concreto de toda a pista, serão implantados 15,2 quilômetros de terceiras faixas, novas vias marginais, correções de geometria de curvas, além de nova sinalização horizontal e sinalização vertical, e instalação de dispositivos de segurança viária.
Também será construído um novo viaduto no perímetro urbano de Palmeira, no entroncamento da PR-151 com a rua XV de Novembro, Rua Manoel Ribas, Rua Daniel Mansani e a Avenida Nacim Bacila. A previsão é concluir a obra em 2027.
Ainda, foram realizadas obras da PR-151 no trecho de Sengés. A primeira parte do projeto teve aporte de R$ 3,3 milhões. O trecho está localizado em perímetro urbano e tem extensão de cerca de 1 quilômetro, ficando a pista com duas faixas de tráfego de 3,5 metros cada e acostamentos de 2 metros em ambos lados da rodovia.
A obra da prefeitura vai ser complementada por uma nova pavimentação do trecho seguinte da PR-151, cujo edital foi publicado pelo DER/PR recentemente.
O projeto vai contemplar 7 quilômetros da rodovia, entre o km 173+538 e o km 166+538. Será executado o pavimento asfáltico, com base de brita graduada simples e sub-base de macadame seco, substituindo o atual leito de revestimento natural. A pista terá duas faixas de tráfego de 3,5 metros cada, além de acostamentos com 2 metros de largura em ambos os lados.
DUPLICAÇÃO DA BR-277 IRÁ BENEFICIAR INDÚSTRIAS
Outra importante obra está sendo realizada na BR-277, entre Irati e Palmeira. Será feita a duplicação da rodovia, com aporte de R$ 240 milhões. Nesta primeira etapa, serão 27,5 quilômetros de duplicações, além de novos dispositivos de retorno e obras de arte especiais, com conclusão prevista para fevereiro de 2027.
Atrelada à questão da produção, outra demanda apontada por Gerson Nunes é a necessidade de ampliar o apoio ao desenvolvimento industrial e a agricultura familiar. “Também temos como prioridade o apoio a projetos e iniciativas para fortalecer ainda mais a geração de emprego e renda, por meio do incentivo ao desenvolvimento industrial e à agricultura familiar”, reforça o presidente da AMCG.
DEMAIS PROJETOS DEVEM AMPLIAR VIAS PARA O ESCOAMENTO
Com investimento de aproximadamente R$ 90 milhões, será realizada a pavimentação da Estrada da Boiadeira, na PR-487, que liga Ipiranga a Ivaí. A obra é considerada essencial para o desenvolvimento da região, especialmente para o escoamento da produção agrícola.
A localidade é reconhecida pela produção agropecuária, especialmente por meio das colheitas de soja, milho, aveia, cevada, fumo, feijão, erva-mate e trigo. Além disso, a região que liga as duas cidades também se destaca pela criação de suínos e pela produção de leite.
No município de Reserva também será realizada a pavimentação da PR-160, que faz ligação com Imbaú. O Governo do Estado está investindo R$ 187,8 milhões no projeto, que contempla um trecho de 28,36 km entre as duas cidades.
Além da pavimentação asfáltica da pista, também serão implantados 12,82 km de faixas adicionais, acessos a estradas rurais e propriedades e interseções em nível ao longo do trecho. Também será concluída a nova ponte sobre o Rio São Pedro, em Reserva, que já tem os serviços de infraestrutura e mesoestrutura quase finalizados.
Está previsto o Contorno de Imbaú, um trecho variante que tira a rodovia da área mais urbanizada e a conecta com um segmento já pavimentado da PR-160, embaixo de um viaduto na BR-376. Neste ponto serão implantadas duas rotatórias e acessos para disciplinar o tráfego entre as rodovias, mas sem alterar o viaduto em si.
Outro trecho previsto é o Contorno de José Lacerda, distrito de Reserva, que também será uma variante da PR-160. Iniciará em uma curva antes do acesso à comunidade e concluirá ao se encontrar com uma rua municipal após o distrito, com interseções em nível em ambos os pontos.
Também será implantado novo sistema de drenagem de águas, sinalização horizontal e vertical, dispositivos de segurança viária, passa-fauna, plantio de grama e construção de abrigos para parada de ônibus, entre outros serviços.

























