Corteva registra resultado anual recorde em 2025, apesar de queda no quarto trimestre
Margem operacional supera 22% pela primeira vez e empresa mantém projeções otimistas para 2026

A Corteva Agriscience divulgou, nesta quarta-feira (4), os resultados financeiros do quarto trimestre e do acumulado de 2025, destacando um desempenho anual recorde impulsionado pela expansão de margens, apesar de um encerramento de ano mais fraco. Conforme informações do Investing.com, as ações da companhia recuavam 1,85% na pré-abertura do mercado, cotadas a US$ 73,65, após a receita do quarto trimestre ficar abaixo das expectativas.
No período, a empresa reportou receita de US$ 3,91 bilhões no quarto trimestre, ante a projeção de US$ 4,24 bilhões dos analistas. O lucro por ação, por sua vez, ficou em US$ 0,22, em linha com o esperado pelo mercado. Ainda assim, a Corteva ressaltou que o desempenho consolidado de 2025 foi o melhor de sua história, mesmo em um cenário de fundamentos agrícolas mistos.
Durante a apresentação, a administração destacou que a companhia superou, pela primeira vez, a marca de 22% de margem de EBITDA Operacional, alcançando 22,1% no ano. Em 2025, a Corteva gerou US$ 2,9 bilhões em fluxo de caixa livre e retornou US$ 1,5 bilhão aos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações. A empresa também reafirmou que segue no cronograma para sua separação corporativa, prevista para o segundo semestre de 2026, com a cisão estimada para o quarto trimestre.
No recorte trimestral, os resultados mostraram retração. As vendas líquidas do quarto trimestre caíram 2%, totalizando US$ 3,91 bilhões, enquanto o EBITDA Operacional recuou 15%, para US$ 446 milhões. A margem operacional no período foi de 11,4%, queda de 179 pontos-base. Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente por mudanças no calendário de vendas de herbicidas na América do Norte e pela antecipação da demanda por fungicidas na América Latina. Ainda assim, o segmento de Sementes apresentou resiliência, com crescimento de 33% no EBITDA Operacional, apesar da redução de 2% nas vendas líquidas.
No acumulado de 2025, a Corteva registrou crescimento de 3% nas vendas líquidas, que somaram US$ 17,4 bilhões, enquanto as vendas orgânicas avançaram 4%, para US$ 17,6 bilhões. O EBITDA Operacional atingiu US$ 3,8 bilhões, alta de 14% na comparação anual. A expansão foi impulsionada por preços e mix favoráveis, aumento de volumes e ganhos de eficiência em custos, parcialmente compensados por efeitos cambiais negativos.
Por segmento, o negócio de Sementes liderou o desempenho, com vendas líquidas de US$ 9,9 bilhões, alta de 4%, e EBITDA Operacional de US$ 2,6 bilhões, avanço de 19%, alcançando margem de 26,6%. Já a área de Proteção de Cultivos registrou vendas de US$ 7,5 bilhões, crescimento de 2%, e EBITDA Operacional de US$ 1,35 bilhão, alta de 6%, com margem de 18,0%, impulsionada pela demanda por novos produtos e soluções biológicas.
Entre os destaques estratégicos, a Corteva ressaltou a resolução firmada com a Bayer, que, segundo a empresa, amplia sua “liberdade para operar” no segmento de sementes. O acordo garante previsibilidade no acesso a tecnologias, melhora a segurança regulatória e encerra litígios entre as companhias, com expectativa de acelerar a neutralidade de royalties já em 2026.
A empresa também detalhou os próximos passos do plano de separação, que inclui, ao longo de 2026, a definição de nova liderança, o lançamento da identidade da SpinCo, registros regulatórios e a conclusão da separação operacional e de tecnologia, culminando com a operação da nova empresa como companhia aberta até o quarto trimestre.
Para 2026, a Corteva apresentou projeções positivas, estimando um EBITDA Operacional entre US$ 4,0 bilhões e US$ 4,2 bilhões, crescimento aproximado de 7% no ponto médio. A margem operacional deve ficar entre 22% e 23%, enquanto o lucro operacional por ação é esperado entre US$ 3,45 e US$ 3,70. Segundo a empresa, os resultados devem ser impulsionados por ganhos de preço e mix em Sementes, crescimento de dois dígitos em novos produtos de Proteção de Cultivos e economias de produtividade, apesar de impactos de tarifas e custos relacionados à separação.
Durante a teleconferência, analistas questionaram os efeitos do acordo com a Bayer e os planos de expansão em edição genética. O CEO Chuck Magro destacou a relevância da tecnologia ao afirmar: “A edição genética é provavelmente a tecnologia mais importante no momento que podemos trazer ao mercado para ajudar os agricultores.”
Apesar da reação negativa do mercado no curto prazo, analistas avaliaram de forma positiva o desempenho anual e as projeções apresentadas, destacando a confiança da Corteva em antecipar metas financeiras previstas inicialmente para 2027.
LEIA ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA:
- Corteva alcançou resultados recordes em 2025, com margem operacional acima de 22%
- Quarto trimestre teve queda de receita, mas não comprometeu o desempenho anual
- Empresa mantém projeções otimistas para 2026 e segue com plano de separação corporativa




















