Chapa 'UEPG sem medo' quer tornar universidade mais humana e plural
As candidatas à Reitoria, Marilisa Oliveira e Jeaneth Nunes, compartilharam suas propostas para a direção da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) de 2026 a 2030 em entrevista concedida ao Portal aRede

As candidatas da Chapa 1 'UEPG sem medo', que buscam assumir a Reitoria da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), professoras Marilisa Oliveira e Jeaneth Nunes, compartilharam ao Portal aRede suas trajetórias no ensino e as propostas da chapa para a gestão da instituição.
As consultas serão feitas nos polos de Educação à Distância (EaD) em 07 de abril, das 17h às 21h, enquanto a consulta nos campi e Hospitais Universitários (HU) situados em Ponta Grossa acontece em 09 de abril, das 9h às 21h, com apuração do resultado a partir de 22h. A localização das urnas será divulgada em 1º de abril.
Sobre as candidatas
Marilisa, candidata à reitora, é graduada em Administração e Ciências Contábeis pela UEPG, atuando como professora da instituição desde 1994, somando 32 anos de experiência. Além disso, a professora é conhecida por seu trabalho na extensão do Projeto Rondon, e possui experiência em diversas funções administrativas, incluindo chefe de departamento e diretora do setor de Ciências Sociais Aplicadas. Caso eleita, ela será a primeira mulher a ocupar o cargo de reitora da UEPG.
A professora Jeaneth, que já foi candidata à reitora anteriormente, é docente em Direito na UEPG há 27 anos, também ocupou cargos de chefia de departamento. À frente de turmas de graduação e pós-graduação, a candidata à vice-reitora enfatiza seu trabalho voltado à pesquisa na área de Direito do Trabalho.
Perspectivas sobre a universidade
Para Marilisa e Jeaneth, a UEPG precisa focar mais no diálogo com a comunidade universitária. Marilisa comenta que, durante a caminhada na campanha para a consulta de voto, tem recebido demandas para melhorias das condições de trabalho para os servidores da universidade. "É a falta de visão de não se ouvir quem está na base", critica a candidata à reitora, que complementa exemplificando uma situação em que um coordenador de curso afirmou preferir outros equipamentos na instituição ao invés da aquisição de novos carros.
A ampliação de vagas nos cursos da universidade também é um ponto debatido por Marilisa como problemático. A candidata à reitora diz que a sua perspectiva pauta um planejamento planejado para a estrutura da universidade. Jeaneth complementa o comentário sobre os espaços da instituição ao citar como proposta a revitalização do pátio do Campus Central.
O caráter de formação da chapa, composta por duas mulheres, também é um dos motores de argumentação das candidatas. Se eleitas, elas buscam ampliar a equidade de gênero nos cargos de decisão da UEPG, e reforçam a sua intenção em ampliar o acolhimento e cuidado com as pessoas que frequentam a instituição.
Cursos de graduação e pós-graduação
O posicionamento das candidatas propõe maior diálogo com coordenadores de cursos e chefias de departamento para ouvir demandas, e melhor preparo para receber novos alunos. Marilisa enfatiza sua preocupação com cursos que correm o risco de fechamento, e diz que buscará revisar o sistema de matrículas, que considera estar desgastado.
O investimento no fomento à pesquisa e no crescimento da pós-graduação também é de interesse das candidatas. Elas também defendem a internacionalização dos programas de pós-graduação e criticam o regime jurídico dos professores temporários, que impede a participação à frente de projetos de pesquisa, extensão e pós-graduação.
Marilisa defende a ampliação da extensão, a qual vê como um pilar fundamental para a formação dos alunos. "Quando o aluno vai a um espaço em que ele vivencia o seu aprendizado, e traz para a pesquisa, é uma transformação".
Ela também sugere o aumento da visibilidade dos projetos de extensão, com assessoria técnica e proposição de projetos interdisciplinares que contribuam com toda a comunidade acadêmica, a exemplo de projetos que ampliem a acessibilidade e inclusão pessoas neurodivergentes, ou ainda, pais e mães que precisam de assistência ao levar seus filhos pequenos à universidade.
Cuidado com colaboradores e permanência estudantil
Entre as propostas que visam fortalecer a permanência dos estudantes e promover maior qualidade no ambiente de trabalho dos agentes universitários, está a criação de espaços como salas de professores e de convivência para o desenvolvimento de atividades, citada por Marilisa com destaque durante a entrevista.
O investimento na permanência estudantil também será um dos métodos de qualificar a instituição, a exemplo de melhorias no Restaurante Universitário (RU), com mais opções para veganos e vegetarianos, e a reforma da casa do estudante, a qual as candidatas criticam as atuais condições dispostas para os alunos.
A candidata à reitora também se preocupa com a atualização e capacitação dos docentes, citando momentos em que os professores precisam repor aulas ao precisar se ausentar por conta de cursos, eventos e feiras de qualificação permanente. Para tanto, ela e Jeaneth querem atualizar a política docente da UEPG.
Mudanças a curto e longo prazo
Questionadas sobre mudanças imediatas, caso eleitas, Marilisa e Jeaneth colocam como prioridade a reformulação dos estatutos e regimentos internos, medida que elas consideram ser fundamental para democratizar a universidade.
Para o futuro da UEPG, Marilisa recupera o nome da sua chapa. "Queremos uma universidade crescendo, pujante, humana, plural e democrática. Sem medo de dialogar e expor ideias", diz. A candidata à reitora também diz ter a perspectiva de uma universidade com pessoas ouvidas e felizes ao trabalhar na instituição.
Ao fim da entrevista, as candidatas se colocaram à disposição da comunidade universitária ao pedir o voto de confiança em suas propostas que, segundo o mote da campanha, busca transformar a UEPG em uma instituição 'humana, plural e democrática', "Estou disposta a ser a primeira reitora mulher da instituição!", declarou Marilisa.
Gestão da UEPG
A atual Reitoria da Universidade Estadual de Ponta Grossa, referente à gestão 2022-2026, é liderada pelo professor Miguel Sanches Neto, que exerce seu segundo mandato consecutivo no cargo (2018-2022). Ao seu lado, está o vice-reitor licenciado, professor Ivo Mottin Demiate. O mandato segue até agosto de 2026.
Ao final desse período, a nova Reitoria definida por meio de consulta à comunidade acadêmica assumirá a direção da instituição. O processo envolve a participação de professores, estudantes e servidores da UEPG.




















