Agro ganha destaque no Carnaval nos desfiles do Rio e de São Paulo
Universo rural têm conquistado espaço crescente nos desfiles das escolas de samba e se transformado em tema central de enredos no carnaval brasileiro

O agronegócio e o universo rural têm conquistado espaço crescente nos desfiles das escolas de samba e se transformado em tema central de enredos no Carnaval brasileiro.
Presentes em passarelas como a Marquês de Sapucaí e o Sambódromo do Anhembi, histórias sobre o campo, alimentos, grãos e a preservação do solo vêm sendo traduzidas em alegorias, fantasias e sambas-enredo.
Este ano a escola de samba Acadêmicos do Tatuapé escolheu o enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra” e busca falar sobre a história da agricultura e das lutas sociais pela terra. Em 2022 a escola também falou do agro ao narrar a saga do café brasileiro com o enredo “Preto Velho conta a saga do café num canto de fé”. A apresentação percorreu a chegada do grão ao país, a expansão do cultivo, o ciclo econômico, o impacto social e o papel cultural da bebida. O desfile também abordou temas históricos como a escravidão, os barões do café e a política do café com leite.
Destaques do agro nas passarelas
Nos últimos anos, diferentes agremiações também levaram para a avenida narrativas ligadas à produção rural e à origem dos alimentos.
Em 2024, a Mancha Verde apresentou o enredo “Do nosso solo para o mundo: o campo que preserva, o campo que produz, o campo que alimenta”, com foco na agricultura familiar e na cultura rural. O desfile destacou práticas de produção, preservação e identidade do interior brasileiro.
No mesmo ano, a Mocidade Independente de Padre Miguel levou para a avenida o caju como protagonista. O enredo abordou o pseudofruto e a castanha, elementos marcantes da agricultura nacional, em um desfile patrocinado por empresa ligada ao produto.
Com o samba apresentação “Waranã – A reexistência vermelha”, a Unidos da Tijuca contou, em 2022, a lenda do guaraná fruto que vem da Amazônia e carrega grande importância para a cultura indígena. A lenda folclórica do guaraná diz que o fruto era originalmente o olho de um pequeno índio mordido por uma serpente na floresta.
Em 2016 o município mato-grossense Sorriso, conhecido como a Capital Nacional do Agronegócio por sua alta produtividade no cultivo de grãos, virou tema da Unidos da Tijuca. O enredo ressaltou a importância do solo, da produtividade agrícola e da relação entre terra e alimento, garantindo à escola o vice-campeonato naquele ano.
Outro marco foi o desfile campeão de 2013 da Unidos de Vila Isabel, que apresentou o enredo “A Vila Canta o Brasil, Celeiro do Mundo”. A escola exaltou a jornada do produtor rural e o papel do país como potência agrícola, em uma apresentação que uniu crítica social, orgulho do campo e espetáculo visual.
Em 2004, a Acadêmicos do Salgueiro levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “Álcool, a energia do futuro”, ressaltando o combustível como fonte sustentável e alternativa energética.
A cana-de-açúcar aparece com frequência como tema carnavalesco, inspirando diferentes desfiles e narrativas, como no enredo “A cana que aqui se planta tudo dá… Até energia! Álcool, o combustível do futuro”.




















