Lula critica big techs e defende regulação global da inteligência artificial
Em discurso na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, na Índia, presidente afirma que empresas concentram dados e ampliam desigualdades na era digital

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as grandes empresas globais de tecnologia promovem uma “dominação” digital ao concentrar o controle de dados e infraestruturas. A declaração foi feita durante a plenária da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Delhi, na Índia. Conforme informações da CNN Brasil, o chefe do Executivo defendeu a criação de regras globais para regular o setor e proteger direitos humanos no ambiente digital.
Em seu discurso, Lula disse que dados de empresas, governos e cidadãos estão sendo apropriados por poucos conglomerados, sem retorno proporcional em geração de valor e renda nos países de origem. Segundo ele, quando algoritmos e infraestruturas digitais ficam sob o controle de um número restrito de empresas, o cenário deixa de representar inovação e passa a configurar dominação.
O presidente argumentou que o modelo de negócios das chamadas big techs se baseia na exploração de dados pessoais, na renúncia à privacidade e na monetização de conteúdos sensacionalistas que, segundo ele, ampliam a radicalização política. Para Lula, o modelo de governança das tecnologias digitais definirá quem participa do processo, quem é explorado e quem ficará à margem.
Ele reiterou a defesa de uma regulação internacional da inteligência artificial, das redes sociais e do ambiente digital como forma de conter o que classifica como “efeitos nefastos” da revolução tecnológica. Embora tenha reconhecido avanços proporcionados pela chamada quarta revolução industrial — como ganhos de produtividade, melhorias em serviços públicos, na medicina e nas áreas de segurança alimentar e energética —, destacou riscos associados ao uso de armas autônomas, à disseminação de discursos de ódio, à desinformação, à pornografia infantil, ao feminicídio, à violência contra mulheres e meninas e à precarização do trabalho.
Lula também alertou para a possibilidade de a inteligência artificial aprofundar desigualdades históricas, tanto entre indivíduos quanto entre países. Segundo ele, o Brasil participa de iniciativas internacionais sobre o tema, incluindo debates no âmbito do G7 e propostas apresentadas pela China, além de diálogo com a Parceria Global em Inteligência Artificial. No entanto, afirmou que nenhuma dessas instâncias substitui a universalidade da Organização das Nações Unidas para estabelecer uma governança internacional que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.
LEIA O RESUMO DA MATÉRIA:
- Lula afirmou que big techs promovem “dominação” ao concentrar dados e algoritmos.
- Presidente defendeu regulação global para proteger direitos humanos e reduzir desigualdades.
- Chefe do Executivo apontou a ONU como foro ideal para governança internacional da IA.





















