Coamo adquire quatro armazéns no Norte do Paraná antes da safra 2025/26
Unidades estavam arrendadas à Belagrícola e pertenciam ao Fundo Pátria; investimento soma R$ 136 milhões em meio à recuperação extrajudicial da empresa
Publicado: 28/01/2026, 08:31

A Coamo Agroindustrial Cooperativa anunciou, nesta terça-feira (27), a compra de quatro unidades de armazenagem agrícola em Cambé, Sabáudia, Assaí e Bela Vista do Paraíso, na Região Metropolitana de Londrina. Os ativos pertenciam ao Fundo Pátria e eram arrendados à Belagrícola, mas passam agora ao controle definitivo da cooperativa. As informações são da A Folha de Londrina.
Segundo a Coamo, a aquisição integra a estratégia de crescimento sustentável e de fortalecimento da atuação junto aos produtores da região. A cooperativa informou que já iniciou o processo de transição e de adequações operacionais para que as estruturas estejam prontas para receber a safra 2025/2026 de soja e milho. A diretoria também prevê reuniões com produtores locais para apresentar a filosofia da Coamo, além dos produtos e serviços que serão ofertados.
Em entrevista ao Grupo Folha de Londrina, o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, explicou que a negociação não envolveu a Belagrícola, que não detinha mais a posse dos imóveis. “Houve um distrato entre a Belagrícola e o Pátria, que ficou livre para a venda do ativo. Nós adquirimos os espaços, mas tudo aquilo que era negócio da Belagrícola com os produtores, a Coamo não tem qualquer ligação”, afirmou.
De acordo com Galinari, o investimento total foi de R$ 136 milhões, com pagamento em cinco parcelas — uma entrada e quatro semestrais. Ele acrescentou que a iniciativa partiu do Fundo Pátria, que ofereceu os ativos à cooperativa. “Pelo que consta, eles estavam negociando com outras empresas e cooperativas. A nossa proposta foi mais interessante e eles fecharam conosco”, disse.
O presidente destacou ainda que a negociação foi concluída em cerca de 30 dias. Segundo ele, tratativas anteriores com a própria Belagrícola para aquisição de outras unidades não avançaram em razão de entraves judiciais. “Como eles estão com o pedido de recuperação extrajudicial, por enquanto não podem vender os ativos. Só compramos as quatro unidades porque pertencem ao Grupo Pátria”, explicou.
Nas estruturas adquiridas, a Coamo pretende implantar entrepostos para recebimento da produção dos cooperados, venda de insumos e oferta de assistência técnica. “Haverá também agrônomos e veterinários. Temos ainda o Credicoamo para o atendimento financeiro. É um pacote de serviços que implantaremos nessas quatro unidades”, detalhou Galinari.
Questionada, a Belagrícola confirmou a perda das unidades e afirmou que elas não integravam seu patrimônio, sendo apenas arrendadas para fins operacionais. Em nota, a empresa disse que a venda dos ativos pelo Fundo Pátria não interfere no processo de recuperação extrajudicial e que seguirá com o fornecimento de insumos e assistência técnica aos produtores. A cooperativa também informou que parcerias operacionais com a Coamo poderão ser anunciadas oportunamente.
Conforme noticiado pelo Grupo Folha de Londrina, a Belagrícola protocolou pedido de recuperação extrajudicial em 11 de dezembro, após o fim do prazo de 60 dias de suspensão de pagamentos concedido pela Justiça. O processo voltou à análise da 11ª Vara Cível e Empresarial de Londrina, que avalia nova suspensão por 90 dias para avanço nas negociações com credores. O pedido busca renegociar R$ 2,2 bilhões em dívidas, principalmente com credores quirografários, incluindo produtores rurais afetados na safra 2024/25.
LEIA ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA:
- Coamo compra quatro unidades de armazenagem no Norte do Paraná por R$ 136 milhões, com pagamento parcelado.
- Estruturas pertenciam ao Fundo Pátria e estavam arrendadas à Belagrícola, que está em recuperação extrajudicial.
- Cooperativa planeja implantar entrepostos com assistência técnica, venda de insumos e serviços financeiros aos produtores.




















