Presunto, bacon e salsicha entram em lista de alimentos cancerígenos da OMS
A decisão posiciona as carnes processadas no mesmo grupo de risco do tabaco, considerando o nível de evidência científica disponível
Publicado: 16/01/2026, 17:07

Alimentos consumidos com frequência no Brasil passaram a ser tratados com maior cautela por autoridades internacionais de saúde. Presunto, bacon, salsicha, linguiça e outros produtos semelhantes foram classificados como cancerígenos para humanos em avaliação analisada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A decisão posiciona as carnes processadas no mesmo grupo de risco do tabaco, considerando o nível de evidência científica disponível.
A classificação chama atenção por envolver itens presentes em refeições rápidas e hábitos cotidianos. De acordo com a OMS, as conclusões se baseiam em estudos que identificaram associação consistente entre o consumo regular de carnes processadas e o aumento do risco de câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto.
A análise foi conduzida a partir de pesquisas reunidas pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), órgão vinculado à OMS responsável por investigar causas e fatores relacionados ao câncer em nível global.
O relatório divulgado resulta de uma meta-análise, método que compila e avalia dados de diversos estudos realizados ao longo de anos, em diferentes países. Segundo os pesquisadores, a repetição dos resultados ao longo das pesquisas permitiu classificar a relação entre carnes processadas e câncer colorretal como consistente.
Os dados indicam que uma porção diária relativamente pequena, em torno de 50 gramas de presunto, bacon ou produtos similares, já pode aumentar de forma significativa a probabilidade de desenvolvimento da doença ao longo da vida. A quantidade equivale a poucas fatias desses alimentos, o que se aproxima do consumo habitual em muitas rotinas alimentares.
A OMS esclarece que a presença no mesmo grupo do tabaco não significa que os riscos sejam equivalentes em intensidade. A classificação considera o grau de certeza científica sobre a relação com o câncer, e não o tamanho absoluto do risco associado a cada item.
São enquadrados como carnes processadas os alimentos que passam por processos como cura, defumação, fermentação ou adição de sal e conservantes, com o objetivo de prolongar a validade ou intensificar o sabor. Nessa categoria estão presunto, bacon, salsichas, salames, linguiças e carnes enlatadas.
Esses produtos podem ser produzidos a partir de carne bovina ou suína, mas também incluem frango, além do uso de miúdos e subprodutos, como sangue. A combinação entre métodos de processamento e determinados conservantes foi considerada nos estudos avaliados.
A OMS também analisou a carne vermelha não processada, como boi e porco frescos. Nesse caso, o alimento foi classificado como fator de risco provável para o câncer, com evidências menos conclusivas. Ainda assim, o consumo excessivo aparece associado a tumores no intestino, no pâncreas e na próstata.
Segundo a organização, a divulgação do relatório não tem o objetivo de causar alarme. A carne segue reconhecida como fonte relevante de proteínas, ferro e vitaminas. A orientação é manter moderação e equilíbrio, com dietas mais variadas e maior presença de alimentos naturais.
Em comunicado, a OMS informa que a iniciativa busca oferecer informações para que governos, profissionais de saúde e a população tenham base científica ao fazer escolhas alimentares e avaliar riscos relacionados à saúde.
RESUMO
Classificação de risco: A OMS classificou carnes processadas (como presunto, bacon e salsicha) como cancerígenas, colocando-as no mesmo grupo de evidência científica do tabaco.
Associação com doenças: Estudos apontam que o consumo diário de apenas 50 gramas desses alimentos aumenta o risco de câncer colorretal devido aos processos de cura, defumação e uso de conservantes.
Recomendação de moderação: Embora a carne vermelha fresca seja considerada um risco "provável", a orientação não é a exclusão total, mas sim o consumo moderado e o equilíbrio com alimentos naturais.
Com informações: OHoje.




















