Brasil adota prudência ao defender soberania sem citar Trump e Maduro
Governo Lula monitora crise e vê "território desconhecido" após ataque dos EUA à Venezuela
Publicado: 05/01/2026, 08:13

Dois dias após os Estados Unidos atacarem a Venezuela, o Brasil avalia a crise como um “território desconhecido” e opta por prudência nos movimentos diplomáticos.
A orientação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é marcar posição de forma enfática na defesa da soberania e do princípio da não-intervenção, sem transformar o episódio em palco de disputas políticas.
Nesse contexto, o Palácio do Planalto e o Itamaraty evitam mencionar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder venezuelano Nicolás Maduro, capturado na ação militar realizada na madrugada de sábado (3), em Caracas.
Em publicação nas redes sociais no sábado, o presidente Lula, sem citar Trump ou Maduro, afirmou que a ação dos EUA ultrapassa “uma linha inaceitável” e que os atos abrem “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
No domingo (4), um comunicado conjunto de Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai rechaçou a operação militar, afirmando que ela contraria o direito internacional e ameaça a estabilidade da região. O texto também manifesta preocupação com “qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos” da Venezuela.
Integrantes do governo brasileiro avaliam que a postura adotada pelo Brasil não deve atrapalhar a relação recentemente retomada com os Estados Unidos, após a crise do tarifaço a produtos brasileiro e a já revogada aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) e sua esposa, a advogada Viviane Barci.
Segundo interlocutores do Planalto, durante a própria crise bilateral entre Brasil e EUA, o presidente Lula já deixou claro a Trump que há um limite inegociável: a soberania nacional. A avaliação é de que essa linha é conhecida por Washington e, portanto, a manifestação sobre Venezuela é apenas uma reafirmação de um posicionamento já conhecido.
Ainda assim, a orientação é evitar menções pessoais a Trump e a Maduro e manter o foco na defesa dos princípios constitucionais que regem a política externa brasileira. A estratégia é blindar a posição do país e reduzir o risco de personalização do conflito.
A avaliação interna é de que citar os líderes diretamente poderia deslocar o debate do campo dos princípios constitucionais para o da disputa retórica, abrindo espaço para que a crise seja transformada em palanque político. Por isso, a diretriz é tratar do tema a partir da soberania, da integridade territorial e da autodeterminação dos povos, pilares tradicionais da política externa brasileira.
Segundo interlocutores do governo, a orientação é manter prudência nas manifestações públicas e concentrar esforços no trabalho diplomático cotidiano, com costuras bilaterais, monitoramento constante da situação e busca de mais informações diante do cenário de incertezas.
Informações: CNN




















