Como cerco jurídico a Bolsonaro mexe com jogo político para 2026
Primeira Turma do STF decidiu tornar réu o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta participação em trama golpista
Publicado: 27/03/2025, 08:12

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu tornar réu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nessa quarta-feira (26). O ex-chefe do Executivo já é considerado inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com essa nova manifestação da Suprema Corte, a pressão sobre os apoiadores de Bolsonaro cresce na tentativa de construir cenário favorável à direita para as eleições de 2026.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro e sete aliados pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
BOLSONARO E O JUDICIÁRIO - A Primeira Turma do STF decidiu tornar réu Jair Bolsonaro e sete aliados por envolvimento em suposta trama golpista. O grupo é acusado de cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado e organização criminosa armada.
Bolsonaro mantém discurso público de que será candidato, mas nos bastidores a aposta do ex-presidente para 2026 é o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP).
No entanto, a direita está fragmentada, sem um nome de consenso para unificar o campo político.
Parte dos aliados de Bolsonaro aposta na reversão da inelegibilidade, enquanto outros acreditam que, se ele for condenado, o poder de transferência de votos aumentará.
Com a aceitação da denúncia, o julgamento segue na Primeira Turma do STF. Agora, serão ouvidas testemunhas e defesas antes de os ministros tomarem decisão final. Caso o ex-presidente seja condenado, ele não poderá ser preso de imediato, uma vez que caberá recurso da decisão.
DIREITA EM 2026 - Jair Bolsonaro, publicamente, se mantém como o candidato da direita nas eleições presidenciais de 2026, para enfrentar possível reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, no bastidor, o nome posto pelo ex-presidente para disputar o Palácio do Planalto é o do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP).
Apesar do favoritismo por parte do pai, Flávio Bolsonaro não é consenso dentro da direita brasileira, que entra no ano pré-eleitoral pulverizada, com diferentes nomes colocados como possíveis candidatos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é um dos mais cotados, mas publicamente afirma ser candidato à reeleição. Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União), se colocam como alternativa, mas enfrentam desafios para ganhar projeção nacional e unir a direita.
Aliados do ex-presidente, em público, defendem a candidatura de Jair Bolsonaro e apostam em possível reversão da inelegibilidade do ex-presidente. Ainda na avaliação de nomes da base bolsonarista, a decisão da Primeira Turma foi de “cartas marcadas”.
“O julgamento foi, para mim, um jogo de cartas marcadas. Uma decisão vazia, frágil, teratológica, mas tinha a decisão de acatar a denúncia e foi acatada, mas quando você olha para o conjunto probatório, é algo vergonhosamente escandaloso”, disse o senador Marcos Rogério (PL-RO) ao Metrópoles.
Informações: Metrópoles