Contorno rodoviário de PG exige planejamento com respeito à vida e à fauna | aRede
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Contorno rodoviário de PG exige planejamento com respeito à vida e à fauna

Érika Zanoni, conselheira da Causa Animal do Grupo aRede, defende que debate sobre o novo traçado deve considerar impactos ambientais, proteção animal e segurança de todos

Érika Zanoni Fagundes Cunha é conselheira da Causa Animal
Érika Zanoni Fagundes Cunha é conselheira da Causa Animal -

Lilian Magalhães

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A conselheira da Causa Animal do Grupo aRede, Érika Zanoni Fagundes Cunha, afirma que o debate sobre o novo contorno rodoviário de Ponta Grossa não deve se limitar à mobilidade e ao desenvolvimento econômico.

A análise que propõe incluir um olhar mais atento aos impactos sobre a fauna silvestre, os animais domésticos e de produção e as famílias que vivem nas áreas atingidas é referente à reportagem especial sobre a proposta do traçado da obra.

VÍDEO
Assista à opinião de Érika Zanoni sobre o assunto. | Autor: Colaboração/aRede.

Para ela, sem planejamento adequado, a construção pode causar impactos como atropelamentos de fauna, fragmentação de habitats e desequilíbrio ambiental, especialmente em áreas sensíveis da região.

Érika defende que o projeto inclua medidas de proteção desde o início, garantindo segurança para animais e pessoas. Segundo a conselheira, é possível conciliar desenvolvimento e respeito à vida.

Confira a opinião completa abaixo:

"A discussão sobre o novo contorno rodoviário de Ponta Grossa não pode ser reduzida apenas a questões de mobilidade, logística e desenvolvimento econômico. Como conselheira da causa animal e profissional que atua há muitos anos com bem-estar, comportamento e direito animal, considero fundamental lembrar que grandes obras também produzem impactos profundos sobre a fauna silvestre, os animais domésticos, os animais de produção e as famílias que vivem nas áreas atingidas.

Quando uma rodovia é implantada sem o devido planejamento ambiental e sem considerar os animais como seres sencientes, o resultado costuma ser previsível: fragmentação de habitats, aumento expressivo de atropelamentos de fauna, isolamento de populações silvestres, destruição de rotas naturais de deslocamento e aumento do sofrimento animal. Muitas espécies deixam de conseguir acessar água, alimento, abrigo e parceiros reprodutivos. Outras passam a se aproximar das áreas urbanas, aumentando conflitos, acidentes e situações de abandono.

Em uma região como a de Ponta Grossa, próxima a áreas de relevante importância ecológica, especialmente a APA da Escarpa Devoniana, esse debate se torna ainda mais necessário. Não basta discutir qual traçado é mais barato ou mais conveniente para o transporte de cargas. É preciso avaliar qual alternativa gera menor impacto sobre a fauna e maior proteção às vidas humanas e não humanas.

Os Campos Gerais possuem rica biodiversidade, com aves, mamíferos, répteis e inúmeras outras espécies que utilizam corredores naturais para se deslocar. Rodovias mal planejadas interrompem esses corredores. Diversos estudos mostram que estradas podem funcionar como verdadeiras barreiras ecológicas, reduzindo a variabilidade genética das populações e contribuindo para o desaparecimento gradual de espécies em determinadas regiões.

Além da fauna silvestre, é preciso pensar também nos animais domésticos e de produção. Muitas propriedades rurais próximas aos traçados convivem com cães, gatos, cavalos, bovinos, ovinos e outros animais. A movimentação intensa de máquinas, o barulho, a poeira e o aumento do fluxo de veículos geram estresse, risco de fugas, acidentes e prejuízos ao bem-estar. Em muitos casos, obras viárias acabam aumentando também o abandono de animais às margens das estradas, situação que já é grave e tende a se agravar em regiões de expansão urbana.

Por isso, qualquer projeto precisa incorporar, desde o início, medidas efetivas de proteção. Entre elas estão a instalação de passagens de fauna aéreas e subterrâneas, cercamento adequado, redutores de velocidade em pontos críticos, sinalização específica, monitoramento contínuo de atropelamentos, recuperação de corredores ecológicos e estudos ambientais mais amplos e transparentes. Não basta cumprir formalidades. É necessário compreender que proteger os animais também significa proteger a segurança das pessoas, evitar acidentes e reduzir custos futuros.

Muitas vezes, quando se fala em desenvolvimento, cria-se a falsa ideia de que os interesses econômicos e a proteção animal são incompatíveis. Não são. Um projeto moderno, inteligente e verdadeiramente sustentável é justamente aquele que consegue conciliar crescimento, mobilidade, preservação ambiental e respeito à vida. Ignorar a fauna e o bem-estar animal pode até parecer mais simples no presente, mas costuma gerar consequências graves no futuro, com novos gastos públicos, conflitos ambientais e sofrimento evitável.

Defender que o novo contorno rodoviário seja debatido de forma mais ampla não significa ser contra o progresso. Significa exigir um progresso mais responsável, ético e tecnicamente adequado. As cidades do futuro precisam ser planejadas para as pessoas, mas também para os animais e para os ecossistemas dos quais todos nós dependemos.

Como conselheira da causa animal, entendo que este é o momento de ampliar a discussão e garantir que a decisão tomada hoje não produza impactos irreversíveis amanhã. O desenvolvimento que não respeita a vida deixa de ser desenvolvimento. Torna-se apenas mais uma forma de destruição silenciosa".

Leia um resumo da notícia

- Na opinião de Érika Zanoni, o debate sobre o contorno não deve focar só em mobilidade e economia, mas também nos impactos sobre animais e comunidades afetadas.

- Para a médica veterinária, sem planejamento ambiental, a obra pode causar atropelamentos de fauna, fragmentação de habitats e desequilíbrio ecológico.

- A conselheira da Causa Animal opina que o projeto deve incluir medidas de proteção desde o início, conciliando desenvolvimento com respeito à vida.

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