Novos parques de Ponta Grossa são muito mais do que áreas de lazer
Conselheira, médica-veterinária lembra também a importância de políticas públicas voltadas à educação ambiental e à proteção animal

A conselheira da Causa Animal do Grupo aRede, Érika Zanoni Fagundes Cunha, acredita que a ampliação das áreas verdes, em Ponta Grossa, representa muito mais do que um investimento em lazer e paisagem urbana - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede.
Para ela, esses espaços impactam diretamente três pontos: a parte ecológica como refúgio para inúmeras espécies; a arborização que impacta na qualidade de vida da cidade; e a ampliação de políticas públicas voltadas à educação ambiental e à proteção animal.
Confira abaixo a opinião na íntegra da Érika, que é médica veterinária, especialista em Neurociência Clínica, mestre em Ciências Veterinárias, doutora em Zoologia e pós-doutora em Direito Animal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR):
"Arborização urbana e causa animal: por que os parques também salvam vidas:
A ampliação das áreas verdes nas cidades representa muito mais do que um investimento em lazer e paisagem urbana. Quando um município planeja parques, corredores ecológicos e arborização adequada, ele está também criando condições para a preservação da biodiversidade e para a proteção da fauna que convive conosco no ambiente urbano.
A notícia de que Ponta Grossa possui aproximadamente 200 mil metros quadrados de área verde e projeta a construção de novos parques traz uma reflexão importante: cidades que valorizam a natureza estão, ao mesmo tempo, protegendo os animais e promovendo saúde para toda a comunidade.
Do ponto de vista ecológico, as áreas verdes urbanas funcionam como verdadeiros refúgios para inúmeras espécies. Aves, pequenos mamíferos, insetos polinizadores e diversos outros organismos encontram nesses espaços locais para abrigo, alimentação e reprodução. Além disso, parques e áreas arborizadas podem atuar como corredores ecológicos, conectando fragmentos de vegetação e permitindo o deslocamento seguro da fauna.
Esse aspecto é especialmente relevante em regiões que passam por expansão urbana, onde a fragmentação do habitat muitas vezes obriga os animais silvestres a se aproximarem cada vez mais das cidades. Quando existem áreas verdes bem planejadas, esses espaços ajudam a reduzir conflitos entre humanos e animais, oferecendo ambientes mais adequados para a permanência dessas espécies.
Outro ponto importante é que a arborização urbana traz benefícios diretos para a saúde ambiental das cidades. Árvores reduzem ilhas de calor, melhoram a qualidade do ar, diminuem a poluição sonora e contribuem para o equilíbrio climático local. Esses fatores impactam positivamente tanto a saúde humana quanto o bem-estar dos animais que vivem no ambiente urbano, incluindo cães, gatos e a fauna silvestre adaptada às cidades.
Entretanto, é fundamental destacar que a criação de parques e áreas verdes também precisa vir acompanhada de planejamento e educação ambiental. A utilização de espécies nativas na arborização, o respeito à fauna local, o manejo adequado dos espaços e a conscientização da população são elementos essenciais para que esses ambientes cumpram sua função ecológica.
Infelizmente, não são raros os casos de abandono de animais domésticos em parques ou de alimentação inadequada da fauna silvestre por parte de visitantes. Essas práticas podem gerar desequilíbrios ambientais e até colocar em risco a saúde dos próprios animais.
Por isso, políticas públicas voltadas à ampliação das áreas verdes devem caminhar lado a lado com programas de educação ambiental e de proteção animal. A natureza dentro das cidades não é apenas um cenário de contemplação, mas um ecossistema vivo que precisa ser respeitado e preservado.
Cuidar das árvores, dos parques e das áreas verdes é também cuidar da vida que habita esses espaços. Quando uma cidade decide plantar mais árvores e proteger seus ambientes naturais, ela está, na prática, protegendo também os animais e fortalecendo uma cultura de respeito à vida em todas as suas formas".
CONSELHO DA COMUNIDADE
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DO ARTIGO
- Biodiversidade como Refúgio Urbano: áreas verdes e corredores ecológicos são essenciais para a preservação da fauna silvestre (aves, pequenos mamíferos e polinizadores). Eles oferecem abrigo e alimentação, reduzindo os conflitos entre humanos e animais em cidades que, como Ponta Grossa, estão em constante expansão;
- Saúde Sistêmica e Bem-Estar: a arborização urbana não é apenas estética; ela combate ilhas de calor, melhora a qualidade do ar e reduz a poluição sonora. Esses benefícios impactam diretamente a saúde pública humana e o bem-estar dos animais domésticos e silvestres que habitam o ambiente urbano;
- Educação Ambiental e Gestão: a criação de parques deve ser acompanhada de conscientização para evitar problemas graves, como o abandono de pets nessas áreas ou a alimentação inadequada de animais silvestres. Para a conselheira, o planejamento deve priorizar espécies nativas e políticas públicas que unam lazer à proteção animal.
VEJA MAIS OPINIÕES SOBRE O ASSUNTO
- Novas áreas verdes são necessárias para uma cidade que cresceu sem planejamento.





















