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Mulheres denunciam crimes sexuais de médico investigado em Irati

A investigação teve início em fevereiro de 2026, após uma mulher de 24 anos relatar ter sido submetida a atos libidinosos durante uma consulta ginecológica

A PCPR orienta que outras mulheres que tenham sido vítimas procurem a Delegacia de Irati para prestar depoimento
A PCPR orienta que outras mulheres que tenham sido vítimas procurem a Delegacia de Irati para prestar depoimento -

Publicado Por João Iansen

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A Polícia Civil do Paraná (PCPR) identificou e colheu depoimentos de duas novas vítimas em um inquérito que apura o crime de violação sexual mediante fraude, praticado por um médico ginecologista, de 81 anos, no município de Irati. As novas oitivas corroboram a investigação inicial e indicam um padrão de comportamento ao longo de décadas.

A investigação teve início em fevereiro de 2026, após uma mulher de 24 anos relatar ter sido submetida a atos libidinosos durante uma consulta ginecológica em um consórcio intermunicipal de saúde. Segundo o relato, o profissional teria se valido da confiança técnica para praticar abusos sob o pretexto de procedimentos médicos.

No curso das diligências, a equipe da 41ª Delegacia Regional de Polícia de Irati localizou outras duas mulheres que relataram episódios semelhantes ocorridos em 2011 e 2016. A PCPR esclarece que, após análise desses fatos específicos, constatou-se que já decaíram do direito de representação, uma vez que, à época de sua ocorrência, os crimes contra a dignidade sexual eram, em regra, de ação penal pública condicionada à representação da vítima, e esta tinha o prazo de seis meses a contar da data do conhecimento da autoria para representar criminalmente. Essa natureza jurídica só foi alterada para ação pública incondicionada com a vigência da Lei nº 13.718/2018, que alterou o art. 225 do Código Penal. A partir de então, a vontade da vítima passou a ser irrelevante para apuração desta espécie de crime.

Dessa forma, embora o decurso do tempo impeça a punição criminal isolada pelos fatos de 2011 e 2016, tais depoimentos são juridicamente fundamentais para corroborar a palavra da vítima atual. Eles servem como prova de habitualidade criminosa e de personalidade, reforçando o conjunto probatório necessário para a responsabilização do investigado no caso recente.

"A convergência de detalhes nos relatos de vítimas que não possuem vínculo entre si é um elemento determinante. Isso demonstra que não se trata de um fato isolado, mas de uma conduta mantida por anos sob o manto da autoridade médica", afirma o delegado Luis Henrique Dobrychtop.

Diante da gravidade dos fatos e do risco de reiteração, a Polícia Civil formalizou o indiciamento do médico pelo crime previsto no artigo 215 do Código Penal e representou ao Poder Judiciário pela medida cautelar de suspensão do exercício da medicina. O objetivo é impedir que o ambiente de consulta continue sendo utilizado para a prática de crimes.

ORIENTAÇÃO

A PCPR orienta que outras mulheres que tenham sido vítimas de condutas abusivas praticadas pelo mesmo ou outros profissionais procurem a Delegacia de Irati para prestar depoimento. A colaboração é essencial para a elucidação completa dos fatos e para a proteção da ordem pública. As denúncias podem ser feitas pelos números 197 e 181, com garantia de sigilo absoluto.

ACUSADO NEGA DENÚNCIAS

O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, foi acusado de cometer crime sexual contra uma paciente de 24 anos durante um atendimento pela rede pública de saúde em Irati, na região central do Paraná. Ele foi indiciado, denunciado e se tornou réu pelo crime de violação sexual mediante fraude.

Em nota, a defesa de Felipe Lucas disse que ele "nega veementemente" qualquer prática irregular ou conduta indevida durante o atendimento. O Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS) Amcespar disse que o médico solicitou afastamento temporário desde o dia 9 de abril.

RESUMO

Investigação e indiciamento: Um ginecologista de 81 anos foi indiciado e tornou-se réu por violação sexual mediante fraude em Irati, após ser denunciado por uma paciente de 24 anos por atos libidinosos durante uma consulta.

Padrão de conduta: Novas testemunhas relataram abusos ocorridos em 2011 e 2016; embora esses casos antigos tenham prescrito, seus depoimentos servem como provas de habitualidade criminosa para reforçar o processo atual.

Medidas e defesa: A Polícia Civil solicitou a suspensão do registro médico do investigado para evitar novas vítimas; em nota, a defesa nega as acusações e o médico pediu afastamento temporário de suas funções.

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