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Conflito no Oriente Médio impacta na produção e preço de fertilizantes

Valores dos produtos essenciais para as lavouras começam a subir e ficar escassos no mercado, trazendo reflexos para a produção do agronegócio regional

O engenheiro agrônomo Nahin Goes, fundador do Grupo Goes, detalhou os impactos ao mercado de fertilizantes em entrevista ao Portal aRede
O engenheiro agrônomo Nahin Goes, fundador do Grupo Goes, detalhou os impactos ao mercado de fertilizantes em entrevista ao Portal aRede -

Fernando Rogala

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O conflito entre os Estados Unidos e o Irã, no Oriente Médio, traz preocupações ao setor do agronegócio. Um dos principais motivos é a produção e o preço de fertilizantes, que começam a ser impactados pelo conflito. Países do Oriente Médio são grandes produtores mundiais de alguns tipos de fertilizantes, e a rota marítima que passa pelo Estreito de Ormuz é muito utilizada para o transporte desses produtos – cerca de 40% da ureia utilizada no mundo utiliza essa rota, que está parcialmente fechada.

Esses e outros detalhes foram revelados pelo engenheiro agrônomo Nahin Goes, fundador do Grupo Goes, em entrevista ao Portal aRede, na tarde dessa quinta-feira (5). Conforme ele detalhou, diversos países do mundo são altamente dependentes de alguns fertilizantes, cuja produção e transporte já são afetados pela guerra. “Se nós pegarmos aí do complexo NPK, nitrogênio, fósforo e potássio, de tudo que o Brasil usa na lavoura, 87% vêm de origem internacional. Então, somos totalmente dependentes”, destaca.

O especialista relatou que fábricas já suspenderam a produção, e parte relevante do que chega ao Brasil passa por uma rota marítima que está parcialmente fechada, aberta para produtos específicos, como alimentos. “Do volume de ureia, dos nitrogenados, que chegaram nos portos brasileiros no ano passado, 40% passaram pelo Estreito de Ormuz, então é um canal importante. E basicamente está tudo parado no Oriente Médio, não estão produzindo ureia”, alertou, detalhando que os fertilizantes chegam a representar 50% do custo efetivo da implantação de uma lavoura.

Em função dos riscos da guerra, há um grande incremento também nos custos do frete por navios, que é a principal base de transporte desses fertilizantes. “A escalada de frete marítimo foi gigantesca”, antecipou, explicando que, como fertilizantes não são alimentos, eles ficam restritos ao passar pelo estreito. Também estão restritos de circulação navios petroleiros, que já ocasionam o aumento do preço global do petróleo. “Boa parte do petróleo mundial passa também por dentro do Irã, então aqui no Brasil, nós vamos enfrentar reflexos também, porque nós precisamos de petróleo. A nossa malha é rodoviária”, acrescentou.

O resultado é que o preço da ureia CFR, por exemplo, estava abaixo dos US$ 500 por tonelada e teve uma grande alta em menos de uma semana. “Hoje, nós tivemos uma oferta de uma indústria gigantesca de ureia aqui no Brasil a US$ 650. Então, nós estamos falando aí em torno de US$ 150 de incremento em três, quatro dias”, completa.

IMPACTOS NA PRODUÇÃO

Esse panorama poderá trazer reflexos na próxima safra no Brasil, incluindo a redução no plantio na safra de inverno, condição que também vale para a região dos Campos Gerais, demandando muito planejamento por parte dos produtores, para não haver prejuízos. “Então assim, se você já tem as margens reduzidas, a maneira de você amenizar um pouco isso é produzir bastante. E, para produzir bastante, você vai ter que adubar. Então, esse ano é o ano de fazer todas as contas na vírgula”, conclui Nahim.

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