Mês da mulher: vacinação se destaca como como aliada da saúde feminina
Da adolescência à terceira idade, imunização previne câncer, infecções ginecológicas e complicações graves

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026–2028, o que representa um risco estimado de 17,59 casos a cada 100 mil mulheres, segundo as estimativas nacionais de incidência da doença divulgadas pelo Ministério da Saúde. Além disso, doenças infecciosas como gripe, hepatites virais e meningites continuam representando risco significativo, especialmente para gestantes, mulheres com comorbidades e idosas. Nesse cenário, a vacinação se consolida como uma das estratégias mais eficazes de prevenção, reduzindo hospitalizações, sequelas e mortes evitáveis.
Ao longo da vida, o sistema imunológico feminino passa por mudanças importantes, desde a adolescência, com o início da vida sexual, até a gestação, climatério e envelhecimento, sendo que cada uma dessas fases exige atenção específica ao calendário vacinal. “A vacinação não é uma medida pontual da infância. Ela acompanha a mulher em todas as etapas da vida, prevenindo desde infecções sexualmente transmissíveis até complicações respiratórias graves”, explica a enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Elisa Lino.
Entre as vacinas de rotina recomendadas para mulheres adultas estão influenza (anual), hepatites A e B, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), dupla adulto (difteria e tétano), dTpa (especialmente em gestantes), além da vacina contra meningite e varicela, conforme avaliação individual, sendo que no período gestacional, a imunização ganha ainda mais relevância. “Quando a gestante se vacina, ela protege a si mesma e também o bebê, por meio da transferência de anticorpos. Isso reduz riscos de complicações nos primeiros meses de vida da criança”, destaca Elisa.
A especialista explica que um dos principais avanços na saúde feminina nas últimas décadas é a vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano), principal responsável pelo câncer de colo do útero e associado também a outros tipos de câncer ginecológico e anogenital. Disponível gratuitamente pelo SUS para faixas etárias específicas e também na rede privada para outras idades, a vacina é uma ferramenta decisiva de prevenção. “O HPV é extremamente comum, mas a vacinação antes da exposição ao vírus reduz drasticamente o risco de lesões precursoras e câncer. Mesmo mulheres adultas podem se beneficiar, mediante orientação profissional”, afirma a especialista.
Outra vacina importante é a do herpes-zóster, doença causada pela reativação do vírus da varicela, mais comum em adultos acima dos 50 anos. “O herpes-zóster pode provocar dor intensa, lesões cutâneas extensas e complicações neurológicas, sobretudo em mulheres idosas, sendo que a vacina contra o vírus algo altamente recomendado para pessoas a partir dos 50 anos e especialmente importante para mulheres com queda da imunidade ou doenças crônicas”, orienta Elisa.
Elisa reforça que a saúde da mulher com mais de 60 anos exige atenção redobrada, já que com o envelhecimento, ocorre a chamada imunossenescência, uma redução natural da resposta imunológica, que torna o organismo mais vulnerável a infecções respiratórias, pneumonias e complicações de gripe. “Vacinas como influenza, pneumocócica e herpes-zóster são fundamentais para reduzir internações e preservar qualidade de vida das mulheres e manter o calendário atualizado na terceira idade é uma medida de autonomia e cuidado. A prevenção evita descompensações de doenças crônicas e perda funcional”, comenta a enfermeira.
No Mês da Mulher, a especialista chama atenção para a necessidade de revisar a caderneta de vacinação e buscar orientação individualizada, uma vez que a prevenção por meio das vacinas não apenas reduz a incidência de doenças, mas também contribui para que as mulheres vivam mais e com melhor qualidade de vida. “Cuidar da imunização é um ato de autocuidado e de responsabilidade com a própria saúde. Informação e acompanhamento profissional são fundamentais para decisões seguras”, conclui.
Com informações das assessorias.





















