Aumento de acidentes nas rodovias requer ações pontuais
Rodovias da região de Ponta Grossa têm tráfego intenso e elevado número de ocorrências
Publicado: 29/11/2025, 22:12

O grande número de acidentes registrados nas rodovias de Ponta Grossa preocupa motoristas. Em um balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), de 1° de novembro de 2024 a 25 de novembro de 2025, foram constatados 191 acidentes na BR-277, na região de Balsa Nova e Campo Largo, trecho administrado pela delegacia de Ponta Grossa. Do total de acidentes, 181 pessoas ficaram feridas e 11 morreram.
Já no trecho da BR-376 entre Ponta Grossa e Balsa Nova, ocorreram 184 acidentes, com 195 feridos e 14 mortes. Enquanto na BR-373, entre Ponta Grossa e Guamiranga, aconteceram 190 acidentes, com 199 vítimas e 28 pessoas mortas.
Em relação às causas dos acidentes, os principais fatores que ocasionaram colisões nas rodovias federais de Ponta Grossa, conforme a PRF, são: reação tardia ou ineficiente do condutor e ausência de reação do condutor.
Em entrevista ao Portal aRede, Luís Fernando Berteli, chefe da delegacia PRF de Ponta Grossa, afirmou que existem vários fatores que influenciam diretamente na segurança das estradas. “Um deles é a infraestrutura, o investimento. Através das melhorias das vias, como a duplicação de estradas simples, já vai trazendo melhora para a segurança nas rodovias federais”.
Sobre o trabalho da PRF para reduzir o número de acidentes nas rodovias, Berteli disse que se trata de um policiamento diferenciado. “Por ser um trecho longo, geralmente, não tem como os agentes estarem em todos os lugares ao mesmo tempo, não tem o efetivo para compreender toda a distância de policiamento devida”.
Por isso, a PRF atua diretamente em fiscalizações, na abordagem de veículos, juntamente do monitoramento por câmeras. “Tem a tecnologia que utilizamos para reduzir o número de acidentes. Também temos vários grupos de educação no trânsito que sempre realizam palestras e eventos para fazer a conscientização dos usuários e promover a segurança nas estradas”.
O inspetor da PRF ressaltou que as causas de acidentes não possuem um único fator e, para ele, com as concessões que entraram em 2024 e em 2025, as rodovias já vêm apresentando melhoras. “Mas tudo é um projeto para os próximos anos, várias duplicações, contornos, viadutos e passarelas a serem implementados. De modo geral, podemos dizer que tem muita coisa para melhorar, mas as condições mínimas das nossas rodovias são boas”.
Ele disse que existem muitos detalhes que a PRF conversa com as concessionárias, sempre atuando de forma conjunta com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), assim como órgãos públicos, como prefeituras e associações. “Sempre discutimos a segurança no trânsito, buscando intervenções e melhorias. Mas uma das principais causas dos acidentes, tem culpa dos condutores. Uma falta de atenção que faz com que agrave ou ocasione colisões, além do excesso de velocidade”.
Em relação às obras existentes nas rodovias, Berteli afirmou que às vezes acontece de um motorista, com falta de atenção, em um ambiente onde estejam ocorrendo obras, acabar se acidentando nesse local. "Mas, geralmente, as sinalizações são normatizadas, desde a sinalização para qualquer obr. Tem uma norma a ser seguida e, quando as concessionárias estão realizando obras, geralmente tem que ter sinalização conforme essas obras. Estamos sempre de olho, mas de maneira geral, as obras da nossa região são bem sinalizadas”.
Já sobre o socorro de vítimas, o inspetor ressaltou que as concessionárias auxiliam muito no tempo de resposta para atendimento de ocorrências, diminuindo o número de mortes. “Quanto antes chega o socorro médico, maior a chance de não resultar em óbito ou num agravamento de ferimentos. Então, esse atendimento é muito bem realizado pelas concessionárias e com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Serviço de Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate) do Corpo de Bombeiros, toda essa gerência, principalmente com as concessionárias, ajudam a evitar mortes e agravamento de feridos”.

A equipe de Jornalismo também entrou em contato com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), que não repassou o número de acidentes registrados nas rodovias.
Em entrevista ao Portal aRede, a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, disse acreditar que as concessionárias que administram os trechos das rodovias de Ponta Grossa estão entrando nos eixos. “Temos muitos problemas pontuais a serem resolvidos, mas eles estão tentando corresponder e sempre estou conversando com todos eles”.
No entanto, a prefeita ressaltou que não é o papel da prefeitura fiscalizar os trabalhos das concessionárias, por existir um órgão específico para esse controle. “Mas o meu papel é solicitar ajuda, apoio e mandar ofícios. Pedir que eles façam o trabalho para a redução dos acidentes, principalmente na cidade”.
Em outubro deste ano, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (CDEPG) encaminhou um ofício ao Grupo CCR, solicitando a análise de uma proposta técnica para adequação do traçado do Contorno Rodoviário de Ponta Grossa. O documento, assinado em conjunto com outras entidades locais, apresenta uma alternativa considerada mais adequada sob os pontos de vista urbanístico, ambiental e logístico.
A manifestação do Conselho ocorre em razão da indefinição sobre o traçado final do contorno, que integra a concessão federal administrada pela concessionária. O CDEPG destaca que a proposta foi elaborada de forma antecipada, com base em estudos técnicos e reuniões realizadas com representantes do setor produtivo, instituições de ensino, órgãos de classe e lideranças locais. O objetivo, segundo o texto, é contribuir de forma proativa com o processo de decisão da concessionária e dos órgãos federais envolvidos.
A prefeita ressaltou que já teve reuniões com as concessionárias, encaminhou ofícios pedindo melhorias na sinalização vertical e horizontal, assim como na pista de rolamento. “Pedi intervenções em relação ao Rio Ronda, para que eles fossem até o Rio Tibagi, mas eles não podem ir além do seu domínio”. Ela ainda destaca que solicitou uma reunião que acontecerá em dezembro, sobre o novo Contorno Norte.
Já em relação ao grande fluxo de caminhões em Ponta Grossa, Elizabeth declarou que o município é um ‘hub’ logístico muito grande. “Nós somos a capital dos caminhoneiros, o número de caminhões que entra e sai da nossa cidade é muito grande todos os dias e as vias rodoviárias são extremamente importantes para a segurança dessas pessoas”.

O secretário de Infraestrutura e Planejamento, Luiz Honesko, afirmou que a meta é assegurar que a infraestrutura rodoviária de Ponta Grossa não apenas suporte, mas impulsione o desenvolvimento da cidade, com obras que sejam executadas com o máximo de eficiência, segurança e o menor transtorno possível para os cidadãos. “É um compromisso com a excelência operacional e a visão de futuro que merecemos”.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Planejamento informou que adota uma abordagem de acompanhamento estratégico e rigoroso em relação ao cumprimento dos parâmetros de desempenho estabelecidos no Programa de Exploração Rodoviária (PER) das concessões que tangenciam nosso território.
Embora a prerrogativa de fiscalização direta dessas concessões seja de competência federal, exercida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o compromisso com a população de Ponta Grossa, por parte da secretaria, os impulsiona a manter um monitoramento ativo e uma interlocução contínua e incisiva junto à ANTT. “Nossa expectativa é que a ANTT atue com a máxima diligência e eficácia regulatória, garantindo que as concessionárias cumpram integralmente suas obrigações contratuais e os padrões de serviço esperados”.
Nesse contexto, a Secretaria de Infraestrutura e Planejamento reitera e intensifica a cobrança para que a ANTT eleve substancialmente seu padrão de atuação e fiscalização, alinhando-se aos modelos de excelência e às melhores práticas observadas no cenário nacional. “A referência aqui é a ARTESP (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo), que reconhecemos como o estado da arte em regulação de concessões rodoviárias, pautada por um rigor técnico e uma efetividade que se traduzem em benefícios concretos para os usuários. Esperamos que a ANTT espelhe essa performance, exercendo seu papel com a proatividade e a profundidade necessárias”, declarou.
Segundo a Secretaria, é reconhecido que os contratos de concessão possuem uma modelagem robusta e que as concessionárias detêm capacidade técnica significativa. “No entanto, a excelência na infraestrutura depende intrinsecamente de uma fiscalização que assegure a aderência irrestrita aos termos contratuais e aprimoramentos contínuos. É essa sinergia entre boa modelagem, capacidade técnica e fiscalização atuante que garantirá a entrega de um serviço de alta qualidade à nossa comunidade”.
Na visão da Secretaria, o planejamento e a execução das obras por parte das concessionárias devem ser intrinsecamente orientados por uma visão de minimização de impacto e maximização da fluidez do tráfego, com foco na experiência do usuário. Para tal, as seguintes diretrizes técnicas são mandatórias:
Planejamento Proativo e Colaborativo: Um planejamento de obras que antecipe cenários, com alinhamento estratégico e constante com os órgãos de trânsito municipais e estaduais. A coordenação interinstitucional é vital para identificar e mitigar potenciais gargalos.
Gestão de Tráfego Baseada em Dados (ITS): A utilização intensiva de Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) é fundamental. Isso inclui monitoramento em tempo real, capacidade de resposta rápida a incidentes e a implementação de estratégias dinâmicas de desvio e sinalização para otimizar o fluxo.
Comunicação Transparente e Multicanal: As concessionárias devem estabelecer um plano de comunicação robusto, utilizando todos os canais disponíveis (painéis variáveis, aplicativos, mídias sociais, imprensa) para informar os usuários sobre intervenções, prazos e rotas alternativas com clareza e máxima antecedência.
Otimização Logística de Cronogramas: A execução de etapas de maior impacto deve ser estrategicamente agendada para períodos de menor demanda viária, como horários noturnos, feriados ou finais de semana, sempre respeitando os parâmetros de segurança e viabilidade técnica.
Inovação e Produtividade Construtiva: A adoção de tecnologias e metodologias que acelerem o processo construtivo, como a utilização de pré-fabricados e técnicas de cura rápida, é crucial para reduzir o tempo de exposição da infraestrutura a obras e minimizar as interrupções.
KPIs de Desempenho no Tráfego: Os contratos e a fiscalização da ANTT devem incorporar Indicadores Chave de Performance (KPIs) específicos que mensurem e recompensem a minimização do impacto no tráfego, incentivando as concessionárias a desenvolverem soluções inovadoras e eficientes.
“Nossa meta é assegurar que a infraestrutura rodoviária de Ponta Grossa não apenas suporte, mas impulsione o desenvolvimento da cidade, com obras que sejam executadas com o máximo de eficiência, segurança e o menor transtorno possível para os cidadãos. É um compromisso com a excelência operacional e a visão de futuro que merecemos”, afirmou a Secretaria de Infraestrutura e Planejamento.

Ao Portal aRede, o deputado estadual e coordenador da Frente Parlamentar das Engenharias e Infraestrutura da Assembleia, Fabio Oliveira, declarou que a Frente Parlamentar das Engenharias e Infraestrutura da Assembleia Legislativa, em parceria com o setor produtivo — o G7 — e com entidades técnicas como o Instituto de Engenharia do Paraná e o Crea-PR, vem atuando desde março de 2024 na fiscalização permanente dos novos pedágios. “O nosso papel, enquanto Assembleia, é acompanhar cada passo das concessões, verificar o cumprimento das obrigações e garantir que o cidadão receba o serviço pelo qual paga”, disse.
Fabio afirmou que, dentro desse contexto, considera prematura a cobrança autorizada pela ANTT no Lote 3. “A CCR iniciou a arrecadação sem entregar a manutenção mínima e sem executar obras emergenciais na velocidade necessária”. Em viagens recentes pelo interior, o deputado declarou que percorreu trechos sob responsabilidade da concessionária e pôde constatar pessoalmente a ausência de serviços que deveriam estar em andamento desde o início da operação.
“Diante desse cenário, busquei diálogo direto com a CCR, cobrando providências imediatas. E, como os problemas persistem, oficiei formalmente a ANTT para que apure o descumprimento contratual e adote as medidas cabíveis”, comentou Fabio. Na avaliação do deputado, não é justo que o paranaense, especialmente quem depende das rodovias de Ponta Grossa, pague por um serviço que claramente ainda não está sendo entregue.
Por fim, o deputado declara que o seu compromisso segue sendo o mesmo: fiscalizar, cobrar e garantir que cada centavo do pedágio volte em segurança, manutenção e obras que realmente melhorem a vida das pessoas. E reforça: “Não podemos, em nenhuma hipótese, repetir os erros do passado”.

Para a equipe de Jornalismo do Portal aRede, o Presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Ponta Grossa (Sindiponta) e diretor da TransPrimo Ponta Grossa, Edis Luiz Moro Conche, o município é o maior entroncamento rodoferroviário do sul. “Ela é cortada por três rodovias, possui três concessões, tendo três concessionarias diferentes. A gente sabe que essas rodovias ficaram um tempo sem iniciativa privada, deixando as vias num estado bem crítico, não só para o transporte de cargas, mas para usuários no geral”.
Ele ressalta que, com as concessionárias, houve certa melhora, mas o setor de transporte precisa de mais melhorias. “Principalmente sobre sinalizações no trecho urbano, que nós consideramos precaríssimas, resultando em acidentes na avenida Souza Naves e na avenida Presidente Kennedy”. Edis declara cobrar uma melhor sinalização por parte das concessionárias e da PRF, buscando reduzir o número de acidentes.
“Um ponto bem importante é que nós temos vários radares nesses trechos e, às vezes, a sinalização está somente no radar, podendo ocasionar uma colisão traseira”. Com isso o presidente do Sindiponta pede uma melhor sinalização viária, principalmente no trecho urbano da cidade.
Conforme Edis, em alguns trechos já existiam buracos na pista. “O setor de transporte quer qualidade na pista de rodagem, o caminhão impacta muito no pavimento, sofrendo com buracos”. Ele espera uma segurança maior nas rodovias e a mesma qualidade no pavimento da faixa da direita e da esquerda. “O desvio de buracos pode ocasionar acidentes”.
Para o presidente do Sindiponta, um grande problema é a demora nas cabines de pedágios, por conta do grande fluxo de veículos e do baixo número de cabines disponíveis. “Nós temos usuários que demoram 40 minutos no pedágio de São Luiz do Purunã”. Além da longa espera de motoristas, para a retirada de veículos das vias, quando ocorre um pane mecânico.
Por fim, ele ressalta a necessidade da melhora na qualidade do pavimento das rodovias, “Precisa ser um pavimento digno do valor que estamos pagando”.






















