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Rumo diz ter recursos para administrar Malha Sul por mais dois anos

Audiência pública na Câmara dos Deputados debateu possibilidade de extensão da concessão por mais 24 meses

Rumo Malha Sul: indefinição sobre contrato de concessão
Rumo Malha Sul: indefinição sobre contrato de concessão -

Publicado Por Milena Batista

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A indefinição sobre o modelo do novo leilão da Malha Sul, operada pela Rumo, e o encerramento do atual contrato de concessão, previsto para março de 2027, foram os principais temas debatidos em audiência pública realizada nesta terça-feira (7), na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.

Conforme a CNN, uma possível prorrogação do contrato vigente por mais 24 meses está em análise e depende de decisão do Ministério dos Transportes. O superintendente de transporte ferroviário da ANTT, Fernando Feitosa, afirmou que as tratativas com a concessionária ocorrem há cerca de dois anos.

Durante a audiência, o representante da Rumo Malha Sul, Ticiano Bragatto, afirmou que a empresa acumula prejuízos na operação das ferrovias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul desde que assumiu a concessão, há uma década, com perdas anuais de aproximadamente R$ 320 milhões. Apesar disso, destacou que a companhia possui liquidez de R$ 753 milhões, o que permitiria manter as operações por mais dois anos, caso a prorrogação seja autorizada, sem necessidade de novos aportes.

O diretor jurídico da ANTF, Iuri Pontual, defendeu a extensão do contrato como forma de garantir tempo ao governo para estruturar um novo processo licitatório.

A concessão original da Malha Sul reúne cerca de 7,2 mil quilômetros de ferrovias na região Sul do país. No entanto, segundo o Ministério dos Transportes, a nova proposta prevê a divisão da malha em três concessões distintas. A ideia, conforme explicou o secretário nacional de transporte ferroviário, Leonardo Ribeiro, é separar os trechos por estado.

Nesse modelo, o Paraná, que apresenta trechos mais rentáveis, poderia contribuir para viabilizar financeiramente as operações em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde as ferrovias são deficitárias. As três concessões seriam leiloadas separadamente, e uma audiência pública sobre o novo formato deve ser realizada em breve.

A proposta de divisão, porém, enfrenta críticas de diferentes entidades, como a Procuradoria-Geral da República, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, o Sindicato dos Ferroviários do estado e a Anit.

Para o presidente da Anit, Luiz Baldez, a falta de definição sobre o futuro da Malha Sul gera insegurança no setor logístico, que depende de planejamento de longo prazo. Segundo ele, esse cenário acaba favorecendo o transporte rodoviário, considerado mais previsível, e dificulta a recuperação do sistema ferroviário na região.

A audiência foi presidida pelo deputado federal Luiz Carlos Busato, que afirmou que a comissão busca identificar falhas no modelo atual para propor soluções que tornem a concessão mais eficiente e sustentável. Um novo debate sobre o tema deve ser realizado no Rio Grande do Sul.

Dados apresentados pelo procurador regional da República Fernando de Almeida Martins mostram o cenário atual da Malha Sul: no Rio Grande do Sul, apenas 921 dos 3.823 quilômetros estão em operação (24%); em Santa Catarina, 373 de 1.373 quilômetros (27%); e no Paraná, 1.194 dos 2.287 quilômetros concedidos estão ativos, o equivalente a 52% da malha.

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