SP corta R$ 12 milhões do orçamento para o Carnaval de Rua
Investimento em infraestrutura cai de R$ 42,5 milhões para R$ 30,2 milhões e passa a ser custeado integralmente por patrocinador

A Prefeitura de São Paulo promoveu um corte de R$ 12,3 milhões no orçamento destinado à infraestrutura do Carnaval de Rua da capital. O investimento, que em 2026 foi de R$ 42,5 milhões, caiu para R$ 30,2 milhões neste ano, conforme informações do Portal Metrópoles.
Os números foram confirmados na sexta-feira (30/1) pelo CEO da SPTuris, empresa municipal de turismo, Gustavo Pires. Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou que a redução faz parte de uma reavaliação operacional do evento. “Ano passado a gente teve vários trajetos que não tiveram o público que era esperado. Então, por exemplo, Av. Luiz Dumont Villares, a gente extinguiu. Por quê? Porque não teve público. […] É uma adequação natural. No processo a gente vai tendo um aprendizado”, disse.
O orçamento destinado à infraestrutura cobre despesas como a contratação de banheiros químicos, gradis e o repasse de R$ 2,5 milhões aos blocos de rua. Atualmente, 100 blocos recebem R$ 25 mil cada por meio de edital municipal.
Questionado sobre possíveis impactos da redução na organização do Carnaval, Gustavo Pires afirmou que não haverá prejuízos. Segundo ele, a decisão foi tomada em conjunto por “todos os órgãos” envolvidos na festa, que estaria “totalmente seguro”.
Pela primeira vez, todo o valor destinado à infraestrutura do Carnaval será financiado por um patrocinador privado. A Ambev assumiu o custeio integral dos R$ 30,2 milhões. A reportagem do Portal Metrópoles apurou que, até o momento, cerca de R$ 10 milhões já foram repassados pela Prefeitura às contas da SPTuris.

O corte no orçamento ocorre em meio a dificuldades enfrentadas por blocos de rua para viabilizar seus desfiles. Alguns grupos anunciaram risco de cancelamento por falta de patrocínio, como o tradicional bloco Sargento Pimenta, que suspendeu sua apresentação na capital paulista neste ano.
Parte dos blocos, entre eles o feminista Pagu, defende o aumento do repasse feito pela Prefeitura, que permanece no mesmo valor desde 2024. O prefeito Ricardo Nunes, no entanto, descartou a possibilidade e afirmou que os blocos não devem depender exclusivamente do poder público. “A prefeitura de São Paulo incentiva que as pessoas tenham sempre o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Cada um também tem que ter a sua parte de buscar o patrocínio”, declarou.
Na última sexta-feira, Nunes afirmou ainda que, caso haja recursos, prefere ampliar o número de blocos atendidos. “Prefiro passar a atender 150 blocos, 200 blocos”, disse.
O edital que regulamenta os repasses aos blocos foi criado pela atual gestão em 2024. No ano anterior, a Prefeitura lançou outro edital com valores maiores, voltado a auxiliar grupos afetados pela pandemia de Covid-19.
De acordo com dados da própria Prefeitura, o Carnaval de Rua de São Paulo gerou cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos e movimentou R$ 3,4 bilhões na economia da cidade em 2025. A expectativa da gestão municipal é manter ou ampliar esses números neste ano.
RESUMO DA MATÉRIA:
- Prefeitura de São Paulo reduziu em R$ 12,3 milhões o orçamento do Carnaval de Rua
- Infraestrutura do evento será custeada integralmente por patrocinador privado
- Blocos pedem aumento de repasses, mas prefeito defende busca por patrocínio próprio




















