Setor privado é estratégico para reinserir detentos na comunidade
Conselheira, empresária entende que somente o poder público não consegue impedir a reincidência de detentos no mundo da criminalidade
Publicado: 18/01/2026, 17:36

A conselheira da área empresarial do Grupo aRede, Giorgia Bin Bochenek, acredita que a iniciativa privada é fundamental no processo de ressocialização de pessoas privadas de liberdade - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede. Para ela, força do trabalho e educação são ferramentas "poderosas" para mudar não somente os sistemas prisionais, mas a comunidade como um todo.
Confira abaixo a opinião na íntegra da Giorgia, advogada, empresária e a primeira mulher presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg):
"Um dos temas mais complexos que enfrentamos como sociedade é a questão da reintegração social. Frequentemente, nosso olhar sobre o sistema prisional se limita à dimensão da segurança, sem enxergar o que acontece dentro dos muros e, principalmente, o que pode acontecer após eles. Em Ponta Grossa, porém, temos testemunhado um movimento transformador que merece nossa atenção e, acima de tudo, nosso apoio: a força do trabalho e da educação como ferramentas poderosas de ressocialização.
Os números falam por si. O Paraná triplicou a inserção de pessoas privadas de liberdade no mercado de trabalho em uma década, e nossa cidade tem sido protagonista nesse avanço. O sucesso reside em um tripé fundamental: estrutura pública adequada, acesso à educação e, crucialmente, a parceria com a iniciativa privada.
É neste último ponto que reside uma lição poderosa para o setor produtivo. Empresas ponta-grossenses de diversos portes e setores não viraram apenas 'parceiras'. Elas se tornaram agentes de uma mudança social concreta. Ao abrir suas portas para o trabalho formal dessas pessoas, elas fazem muito mais do que cumprir uma cota ou uma obrigação social. Elas estão investindo em capital humano, em produtividade e no futuro da nossa própria comunidade.
O argumento econômico é claro e robusto. A população carcerária, além de uma questão social e de segurança, notoriamente tem custos. Oferecer uma ocupação produtiva e remunerada dentro da lei, com direitos garantidos como a Remição de Pena e o salário, quebra o ciclo de ociosidade e cria um vínculo com a sociedade produtiva. A qualificação profissional dentro do sistema é a primeira etapa para evitar a reincidência, que é um custo social e econômico incalculavelmente maior para todos nós.
A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) entende que o desenvolvimento econômico não se dissocia do desenvolvimento social. Nossa defesa intransigente de um ambiente de negócios próspero anda lado a lado com a compreensão de que uma cidade mais justa e segura é um terreno mais fértil para investimentos e crescimento. Apoiar iniciativas como a da Unidade de Progressão é, portanto, um posicionamento estratégico. É reconhecer que o poder público sozinho não consegue vencer este desafio, mas em parceria com empresas visionárias, podemos construir soluções eficazes".
CONSELHO DA COMUNIDADE
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Papel da iniciativa privada: Giorgia Bin Bochenek defende que empresas são agentes centrais na ressocialização, ao oferecer trabalho formal e educação como ferramentas para transformar o sistema prisional e a comunidade;
- Resultados e benefícios econômicos: o Paraná triplicou a inserção de presos no mercado de trabalho em uma década, com Ponta Grossa como destaque; a qualificação e a ocupação produtiva reduzem a reincidência e os custos sociais;
- Integração entre desenvolvimento social e econômico: a Acipg vê a parceria entre poder público e setor produtivo como estratégica para construir uma cidade mais justa, segura e atrativa para investimentos.
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- Sistema prisional tradicional funciona como um meio de cultura tóxico.




















