Saúde emocional feminina entra em pauta diante de falas machistas | aRede
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Saúde emocional feminina entra em pauta diante de falas machistas

Helen Machado Hampf fala sobre machismo estrutural, ansiedade silenciosa e a importância de acolher as próprias emoções

A psicóloga explica que comentários misóginos não são apenas opiniões isoladas, mas reflexo de um machismo estrutural que atravessa gerações. “Quando o fracasso é atribuído à mulher por ser mulher, isso é violência”, afirma.
A psicóloga explica que comentários misóginos não são apenas opiniões isoladas, mas reflexo de um machismo estrutural que atravessa gerações. “Quando o fracasso é atribuído à mulher por ser mulher, isso é violência”, afirma. -

Mariele Alexandra Zanin

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“Nós, mulheres, lutamos todos os dias para conquistar o nosso espaço de respeito na sociedade.” A frase que abre a entrevista com a psicóloga clínica Helen Machado Hampf resume o sentimento que motivou o bate-papo no Viver Bem: o cansaço de ter que provar, repetidamente, competência, força e capacidade apenas por ser mulher.

Segundo a psicóloga, além da indignação diante de ataques machistas, há um impacto emocional profundo que muitas vezes é silenciado. “Nós não temos que ser fortes o tempo todo. A emoção precisa estar presente. Precisamos passar umas às outras essa energia de fortalecimento e bem-estar”.

Helen destaca que existe uma cobrança histórica para a mulher ser sempre forte, resiliente e impecável, mas raramente há espaço para vulnerabilidade. “A mulher está cansada de ter que provar sobre o empoderamento, sobre a força, sobre a estabilidade”. Segundo ela, as mulheres precisam trabalhar as emoções e pedir ajuda quando necessário.

Ela explica que comentários misóginos não são apenas opiniões isoladas, mas reflexo de um machismo estrutural que atravessa gerações. “Não é só uma fala machista. Muitas vezes vem carregada de violência e de raiva. Quando o fracasso é atribuído à mulher por ser mulher, isso é violência”, afirma.

A “ansiedade silenciosa”

Um dos pontos centrais da entrevista foi o conceito que Helen chama de “ansiedade silenciosa”. Segundo a psicóloga, o corpo reage mesmo quando a mente tenta minimizar a situação. “Eu sempre digo: a mente mente, o corpo não. O coração aperta, o estômago trava, a respiração muda. Isso é o corpo avisando que algo não foi elaborado”.

Ela lembra que, na correria do dia a dia, muitas mulheres seguem acumulando funções e responsabilidades, além da constante necessidade de se defender. “É um turbilhão de papéis. Amiga, profissional, mãe, esposa, filha. E ainda tendo que provar capacidade o tempo todo. Isso gera irritabilidade, insônia, cansaço constante e culpa.”

Técnicas para o equilíbrio emocional

Durante a entrevista, a psicóloga compartilhou práticas simples para reconectar corpo e mente, como a respiração diafragmática. “Puxar o ar pelo nariz, soltar pela boca, trazer a fisiologia para o presente", explica. Isso ajuda a reduzir a ansiedade e a perceber o que está acontecendo.

Ela também sugere momentos de autocuidado e observação. “Olhar para si no espelho, perceber a própria presença. Parece simples, mas fortalece para enfrentar reuniões, conversas difíceis e situações de desrespeito”.

Quando buscar ajuda?

A orientação é prestar atenção aos sinais do corpo. “Se você sente que não dá conta, que precisa ser perfeita o tempo todo, se há dores, insônia, irritabilidade constante, é hora de parar e observar. A terapia ajuda a reorganizar e equilibrar”, alerta. Para Helen, cuidar da saúde mental é uma questão coletiva. “Uma pessoa que elabora suas emoções consegue organizar melhor suas relações e impactar positivamente quem está à sua volta”, reflete.

Ao final, a mensagem é clara: mulheres não precisam enfrentar sozinhas. “Precisamos levantar a bandeira do respeito. Independentemente da idade, profissão ou fase da vida, o respeito deve existir”, conclui. Helen atende em consultório e interessados podem entrar em contato pelo Instagram @ helenmachadohampf.

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