'Moranguete' e 'Abacatudo': entenda fenômeno da novela das frutas | aRede
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'Moranguete' e 'Abacatudo': entenda fenômeno da novela das frutas

Vídeos virais impulsionados por IA misturam humor e comportamento, mas levanta alerta sobre conteúdo e impacto social

"Novela das frutas" viraliza no TikTok
"Novela das frutas" viraliza no TikTok -

Publicado por Iolanda Lima

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Nos últimos dias, um novo tipo de conteúdo passou a dominar as redes sociais. No Instagram ou no TikTok, as novelas de frutas já dominam os algoritmos alcançando uma expressiva quantidade de usuários.

Nos vídeos, personagens como "Abacatudo", "Moranguete" e "Bananildo" podem até parecer inofensivos à primeira vista, no entanto, estão no centro de mais um fenômeno curioso - e controverso - do entretenimento digital.

Com roteiros curtos, linguagens simples e estética inspirada em animações, as produções feitas a partir da Inteligência Artificial (IA), viralizam justamente pelo enredo: traições, conflitos, agressões e outras situações extremas do cotidiano. As informações são da CNN Brasil. 

Ao mesmo tempo em que "divertem", também levantam questionamentos sobre o tipo de conteúdo consumido especialmente pelos mais jovens.

De acordo com Mohamad Rabah, CEO da Multiverso Experience, empresa referência em experiências tecnológicas e imersivas, o sucesso desse tipo de conteúdo está diretamente ligado à facilidade de consumo e à identificação com situações do dia a dia, ainda que em formatos exagerados.

"Existe um modelo muito claro de viralização, com vídeos curtos e continuações, que é o que temos visto bastante nas redes. Ao mesmo tempo, retrata aspectos da realidade de muita gente, o Brasil é um país onde violência, traição e intrigas infelizmente fazem parte do cotidiano, embora muitas vezes isso venha de forma bastante vulgar”, analisa.

Para Gabriela Moreira, Head de Marketing da Multiverso Experience, o sucesso das “novelinhas” vai muito além do humor, e evidencia uma transformação mais ampla na forma como o entretenimento é criado e consumido.

“Elas não viralizam por acaso. Existe um alinhamento muito forte entre comportamento humano e lógica de algoritmo. Esses vídeos funcionam como mini-narrativas, com começo, conflito e continuação, o que aumenta a retenção, uma das métricas mais importantes no digital hoje”, explica.

Segundo ela, outros fatores também ajudam a impulsionar o alcance. “Tem a curiosidade, porque é algo completamente inesperado, ver frutas vivendo dramas humanos. O cérebro tenta entender aquilo. Além disso, é um conteúdo de baixo esforço cognitivo, em poucos segundos você já compreende a história. E existe o efeito de continuidade, como se fosse uma série. Isso cria um loop de consumo que aumenta o tempo de tela e a fidelização”, completa.

Marcas, influenciadores e até instituições públicas também passaram a surfar na tendência, enquanto cursos online prometem ensinar a criar conteúdos semelhantes como forma de geração de renda.

“O que estamos vendo é uma democratização da criação de conteúdo com apoio da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, isso exige mais responsabilidade de quem cria e também mais senso crítico de quem consome”, aponta Mohamad.

O perigo por trás da novela das frutas

A discussão, no entanto, acende um alerta sobre os limites entre entretenimento e impacto social. Apesar da estética lúdica, muitos desses conteúdos abordam temas sensíveis de forma superficial ou extrema, o que pode influenciar a percepção de públicos mais jovens.

Nesse cenário, especialistas e empresas do setor concordam que o desafio não está apenas em acompanhar tendências, mas em entender seus desdobramentos.

Para Gabriela, o ponto central é claro: “Quando você combina surpresa, emoção e facilidade de consumo, o viral acontece. A questão é o que estamos fazendo com essa atenção depois”, conclui.

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