Homem cria falso batalhão, engana mais de 200 pessoas e processa vítimas
Suspeito se passava por militar, cobrava taxas indevidas e submetia vítimas a trabalho sem pagamento

Um homem identificado como Luiz Fernando Dutra é investigado por criar um falso batalhão e recrutar mais de 200 pessoas com promessas de carreira militar em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Conforme informações do Metrópoles, o suspeito foi preso em flagrante no início deste mês ao tentar aplicar um novo golpe envolvendo uma escola pública.
De acordo com boletins de ocorrência e relatos de vítimas, Dutra se apresentava como tenente-coronel da Polícia Militar, utilizando uniforme e documentos falsos para dar credibilidade ao esquema. No suposto batalhão, ele impunha uma rotina com regras inspiradas no meio militar, incluindo continência diária, treinamentos e até cobranças financeiras.
“Se a gente não batesse continência, tinha que pagar cerca de R$ 700. Trabalhamos por meses sem receber salário”, relatou Tatiane Martins, de 32 anos.
Ainda segundo a vítima, os participantes eram obrigados a pagar por fardas, cursos e alimentação, sob a promessa de reembolso e contratação formal, o que não se concretizou.
“Nós tínhamos uma rotina de chegar, bater continência pra ele entrar. Além disso fizemos alguns treinamentos que ele falava que a empresa exigia, em um valor X. Depois veio com a história da farda no valor de R$ 800, porque teríamos a formatura do treinamento que a gente fez. Você comprava a farda e o coturno. A formatura realmente aconteceu, porém quem pagou por ela foram os próprios alunos, que ele também falou que ia ressarcir o dinheiro. Só depois de três meses percebemos que era um golpe”, afirmou.
Os depoimentos também indicam que o suspeito assinava contratos com os trabalhadores, mas não entregava cópias e prometia benefícios como plano de saúde e auxílios que nunca foram concedidos. Há ainda denúncias de maus-tratos a animais no local onde funcionava o falso batalhão.
“Ele prendeu a mãe dos filhotes de cachorro que ficavam no lote. Um dia ele saiu e deixou a cachorra sozinha, foi quando ela no desespero pulou lá de cima e morreu. Ele então a pegou e enterrou a cachorra do outro lado do lote. E os cachorrinhos foram morrendo de fome, porque eles ainda mamavam. Então, ele foi enterrando um por um no quintal da residência”, disse Tatiane.
Além disso, Dutra tentou firmar contrato com uma empresa de excursões escolares, se passando por capelão da Força Aérea Brasileira (FAB), oferecendo uma suposta doação de cerca de R$ 308 mil. A proposta foi analisada pela advogada Lorrana Gomes, que identificou inconsistências.
“Verifiquei que ele não tinha vínculo com a FAB e já possuía histórico de fraudes”, explicou.
Após a recusa, o suspeito procurou uma escola pública em Sabará e afirmou, de forma falsa, que o passeio dos alunos havia sido cancelado por culpa da empresa. “Ele sustentou até o fim que era militar. Acionei a polícia e ele foi preso em flagrante”, disse a advogada.
Apesar da prisão, Dutra foi liberado após o registro por falsidade ideológica, já que não houve prejuízo financeiro consumado nesse caso específico. Com a repercussão, outras possíveis vítimas passaram a relatar situações semelhantes, incluindo um suposto novo golpe envolvendo universitários, ainda em apuração.
A Polícia Civil foi procurada, mas não respondeu até a última atualização.
Especialistas alertam que promessas de ingresso em carreiras públicas fora dos meios legais são fraudulentas. “Não existe ingresso sem concurso público. Qualquer promessa nesse sentido deve ser vista com desconfiança”, afirmou a advogada Michelle Guedes, com base no artigo 37 da Constituição Federal.
O caso também gerou impacto em uma escola envolvida, onde mais de 200 crianças tiveram frustrada a expectativa de participar de excursões. Diante disso, a empresa e a advogada criaram uma campanha virtual para arrecadar recursos e viabilizar os passeios. “A ideia é minimizar o impacto e realizar esse sonho”, afirmou Lorrana.
RESUMO:
- Homem é investigado por criar falso batalhão e enganar mais de 200 pessoas
- Vítimas relatam cobranças indevidas e trabalho sem remuneração
- Suspeito foi preso em flagrante, mas liberado; novos casos seguem em apuração





















