Polícia apura morte do cão comunitário Orelha por maus-tratos em praia de SC
Investigação cumpre mandados, apura possível coação a testemunha e envolve adolescentes e adultos no caso ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis
Publicado: 27/01/2026, 08:26

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga, com apoio do Ministério Público do estado, a autoria das agressões que resultaram na morte do cão comunitário “Orelha”, vítima de maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Conforme informações da CNN Brasil, na manhã desta segunda-feira (26), a polícia realizou uma operação para cumprir três mandados de busca e apreensão em endereços de suspeitos envolvidos no caso.
As apurações tiveram início após denúncia de que um grupo de adolescentes teria agredido o animal, encontrado ferido e posteriormente submetido à eutanásia, também chamada de morte assistida. Caso a autoria por parte dos adolescentes seja confirmada, o relatório da investigação será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei, em razão da idade dos envolvidos.
Além da morte de Orelha, a Polícia Civil também apura um segundo episódio de maus-tratos envolvendo um cão caramelo. Segundo as investigações, o animal teria sido levado ao mar no colo por um adolescente, mas conseguiu sair da água.
Operação e investigações
De acordo com a polícia, a ação desta segunda-feira teve como objetivo cumprir três mandados de busca e apreensão relacionados às agressões contra o cão comunitário. Entre as diligências, foram realizadas buscas em endereços ligados a dois adolescentes para localizar equipamentos de tecnologia, como computadores e telefones celulares.
“Até agora, dois adolescentes foram alvo de busca, e outros dois estão nos Estados Unidos para uma viagem que, segundo consta, era pré-programada [...] Há um indicativo de que quatro adolescentes teriam praticado as pressões contra o cão e teriam três adultos que estariam envolvidos na prática de uma coação no curso do processo decorrente da investigação”, afirmou o delegado Ulisses Gabriel.
Suspeita de coação
Em razão das agressões, os agentes também apuram a possível participação de um pai e de um policial civil, suspeitos de terem coagido uma testemunha. Segundo o delegado Ulisses Gabriel, um dos mandados de busca está relacionado a um indivíduo que teria ameaçado uma testemunha ao longo da investigação.
Na ação, a polícia tentou localizar uma possível arma de fogo que teria sido utilizada na suposta ameaça, mas o objeto não foi encontrado.
Comoção e manifestações
A morte de Orelha gerou forte comoção nas redes sociais. Moradores, ONGs e associações cobraram justiça pelo animal, que era cuidado pela comunidade há cerca de dez anos. A Associação dos Moradores da Praia Brava se manifestou afirmando:
“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém afetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que ali vivem”.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também se pronunciou sobre o caso e afirmou que solicitou os mandados à Justiça poucos dias após o início das investigações. Em nota, declarou:
"Na sexta-feira, 16 de janeiro, tomei conhecimento do caso do cãozinho comunitário Orelha. Determinei ao delegado geral investigação imediata. A nossa polícia civil fez diligências, colheu provas e solicitou à justiça mandados, alguns dias após início da investigação. A juíza responsável se declarou impedida e um outro juiz foi nomeado para decidir sobre os nossos pedidos. Nos próximos dias teremos novidades. As provas já estão no processo e me embrulharam o estômago."
LEIA ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA:
- Polícia Civil cumpre mandados e investiga adolescentes e adultos pela morte do cão Orelha, conforme o Portal Metrópoles.
- Caso envolve suspeita de coação a testemunha e apuração paralela de outro episódio de maus-tratos contra um cão.
- Morte do animal comunitário gerou comoção, manifestações públicas e posicionamento do governador de SC.




















