Necrotérios improvisados expõem dimensão da repressão a protestos no Irã | aRede
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Necrotérios improvisados expõem dimensão da repressão a protestos no Irã

Vídeo mostra corpos empilhados enquanto famílias buscam por parentes após repressão que já deixou centenas de mortos

Manifestações acontecem pelo agravamento das condições econômicas
Manifestações acontecem pelo agravamento das condições econômicas -

João Victor

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Imagens que circularam nos últimos dias revelam cenas de desespero em necrotérios improvisados no Irã, onde corpos foram empilhados após a repressão a protestos antigovernamentais. Os registros, obtidos apesar do bloqueio de internet imposto pelo governo iraniano, mostram familiares chorando e tentando identificar entes queridos entre dezenas de cadáveres, conforme informações da CNN Brasil.

Os vídeos foram gravados no Centro Médico Forense de Kahrizak, ao sul de Teerã, e em áreas próximas à unidade. Em algumas imagens, sacos pretos para cadáveres aparecem enfileirados em áreas externas, enquanto outros corpos estão espalhados pelo chão, inclusive em pátios e passarelas. Pessoas percorrem o local em busca de informações sobre parentes desaparecidos desde o início da repressão.

VÍDEO
Copros empilhados em frente a necrotério | Autor: Reprodução
  

Segundo relatos, o alto número de mortos levou à improvisação de espaços para armazenamento dos corpos. Um dos vídeos mostra o interior de um galpão transformado em necrotério, com dezenas de sacos mortuários dispostos no chão e sobre mesas metálicas. Grupos ativistas afirmam que a quantidade de vítimas superou a capacidade das instalações oficiais.

As manifestações, que se espalharam pelo país, foram impulsionadas pelo agravamento das condições econômicas e representam um dos maiores desafios enfrentados pelo regime iraniano nos últimos anos. A mídia estatal reconheceu as cenas nos centros forenses, mas atribuiu as mortes, em sua maioria, a “manifestantes violentos”, negando responsabilidade direta das forças de segurança.

Organizações de direitos humanos contestam essa versão. Para Michael Page, vice-diretor da divisão do Oriente Médio e Norte da África da Human Rights Watch, as autoridades iranianas são responsáveis pelas mortes e ferimentos registrados durante os protestos. Ele afirma que o governo não faz distinção clara entre manifestantes pacíficos e atos de violência, tratando qualquer mobilização em larga escala como ameaça ao regime.

O governo iraniano, por sua vez, afirma que orienta a população a não se juntar a protestos e sustenta que as forças de segurança atuam com contenção. Ainda assim, testemunhas relataram à CNN que a resposta estatal às manifestações foi marcada por violência.

Dados do grupo de direitos humanos HRANA indicam que mais de 500 pessoas morreram, incluindo menores de idade, e mais de 10 mil foram presas desde o início dos protestos no fim de dezembro. Os números, porém, não puderam ser verificados de forma independente, e a dimensão real das vítimas segue incerta devido às restrições de comunicação no país.

LEIA ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA: 

- Vídeos mostram corpos empilhados em necrotérios improvisados após repressão a protestos no Irã

- Governo iraniano atribui mortes a manifestantes violentos, mas entidades de direitos humanos contestam

- Organizações estimam centenas de mortos e milhares de presos, embora números oficiais sigam incertos

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