Jovem que acusa PMs de estupro é hospitalizada após depoimento
Vítima teria sido abusada por soldado e cabo após ambos oferecerem carona para a garota; ambos seguem presos preventivamente
Publicado: 05/04/2025, 15:55

A jovem que afirma ter sido estuprada por dois policiais militares em uma viatura, após os PMs oferecerem uma carona para a vítima, em 2/3 em Diadema, Grande São Paulo, permaneceu hospitalizada — entre a noite dessa sexta e o início da manhã deste sábado (5/4) — logo após prestar mais um depoimento sobre o caso à Polícia Civil.
Desde o crime sexual, atribuído ao soldado Leo Felipe Aquino da Silva e ao cabo James Santa Gomes, a vítima passou a ter crises de ansiedade e profundos quadros depressivos, como relatou a mãe dela. O soldado já foi reprovado em um teste psicológico para ingressar na PM.
Os policiais foram presos, por tempo indeterminado, um dia após o crime. Ambos seguem atrás das grades, no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. A defesa deles negou as acusações e afirmou, em nota, que ambos irão dar as versões do caso no decorrer do processo.
“Ela fica a todo momento perguntando que horas isso vai acabar. Ela está sendo julgada como culpada [por algumas pessoas] e a culpa não é dela, é de quem fez o mal pra ela. Então imagino como esteja a cabeça dela. Vendo minha filha assim fico ruim também. Passei [também] no médico [por isso]. É um momento bem delicado, parece que vai chegando no fim e o processo vai piorando”, afirmou a mãe da jovem.
O desgaste emocional da vítima aumentou por causa dos trâmites exigidos para a feitura de um inquérito policial, como novos depoimentos e coleta de provas para corroborar os relatos à Polícia Civil. “Toda semana é uma coisa, a cada semana ela vai revivendo os fatos [estupro]”.
A mãe da garota afirmou que a filha parou de estudar, por estar sem condições para isso. “Nossa vida parou”, acrescentou. A vítima já convivia com a depressão, posteriormente aprofundada pelo abuso sexual sofrido, e segue seus dias isolada, desde então, e em tratamento — incluindo com a administração de remédios para acalmá-la.
O roubo mencionado pela mãe da jovem teria ocorrido após o crime sexual, quando os policiais pegaram a bolsa da garota e o celular dela, com o qual a jovem fez vídeos e registros em áudio (ouça abaixo), no interior da viatura. Após o roubo, os PMs abandonaram a moça, na beira da rodovia Anchieta, de pés no chão e desorientada. Os itens pessoais dela desapareceram e ainda não foram localizados.
Os policiais, segundo afirmado pela jovem, estariam consumindo bebidas alcoólicas, cujas provas estavam no celular dela.
Sozinha na rodovia, ela tentou parar carros, se colocando em frente de veículos, até que conseguiu uma carona, que a levou ao 26º DP (Sacomã), já na capital paulista. A vítima estava tão abalada que os policiais civis de plantão acionaram uma ambulância, que a encaminhou para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Liberdade, no centro paulistano, onde foi encontrada pelos familiares e detalhou o suposto abuso sexual.
Com informações: Metrópoles.