Saúde de Ponta Grossa deve se preocupar com o envelhecimento da população | aRede
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Saúde de Ponta Grossa deve se preocupar com o envelhecimento da população

Conselheiro, médico acredita que um dos principais desafios do futuro ponta-grossense é ampliar o atendimento à saúde da população idosa

Mário Rodrigues Montemor Netto é conselheiro na área da Saúde
Mário Rodrigues Montemor Netto é conselheiro na área da Saúde -

Rodolpho Bowens

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O conselheiro da área da Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemór Netto, entende que o 'Plano de Metas' é fundamental para o crescimento de Ponta Grossa, junto do 'Master Plan de 2043' - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede.

Para ele, um dos principais pontos que merece atenção é a saúde pública, principalmente com o envelhecimento da população ponta-grossense. O objetivo de criar quatro novas policlínicas pode ser uma das medidas que contribuíram com o futuro da saúde de Ponta Grossa.

Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, pesquisador, professor e presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG):

"A gestão pública do município de Ponta Grossa encontra-se em um estágio de amadurecimento institucional caracterizado pela transição de um modelo de administração reativa para uma governança baseada em evidências e planejamento de longo curso. O 'Programa de Metas 2025-2028', apresentado pela administração municipal, não deve ser interpretado como um documento isolado de intenções políticas, mas como o elo operacional de um ecossistema complexo que inclui o 'Plano Diretor de 2022', o 'Plano de Mobilidade Urbana' e o ambicioso 'Masterplan - Ponta Grossa 2043'.

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Assista à opinião do conselheiro Mário | Autor: Colaboração.

Este relatório analisa criticamente as propostas para o quadriênio 2025-2028, confrontando-as com o diagnóstico socioeconômico profundo de 2023, as metas de sustentabilidade global (ESG) e os desafios impostos por uma dinâmica demográfica que supera as médias estaduais e nacionais.

O Marco Regulatório e a Governança do Programa de Metas

A institucionalização do 'Programa de Metas' em Ponta Grossa reflete uma tendência de transparência e controle social que transcende a legislação municipal básica. O plano, estruturado em 15 eixos estratégicos, fundamenta-se no compromisso com uma cidade 'mais sustentável, inclusiva e com qualidade de vida'.

A relevância deste instrumento reside na sua capacidade de transformar a visão política em indicadores quantificáveis, permitindo que a sociedade civil e os órgãos de controle, como a Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE), monitorem o progresso físico e financeiro das obras e serviços.

Confira parte da análise do conselheiro Mário
Confira parte da análise do conselheiro Mário |  Foto: Colaboração.

A adoção dos critérios ESG (Environmental, Social, and Governance) como bússola para o planejamento de 2025-2028 indica que a prefeitura busca alinhar o desenvolvimento local aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Entretanto, a análise crítica do cenário de governança revela que, embora o município tenha atingido o 'Nível A' em capacidade de pagamento pelo Tesouro Nacional por cinco anos consecutivos, ainda há um caminho a percorrer na transparência ativa.

A nota de 6,78 na Escala Brasil Transparente (EBT) 360° em 2020 sinaliza que a digitalização de processos e a disponibilização de dados em tempo real são fundamentais para que o 'Programa de Metas' não enfrente o descrédito populacional por falhas de comunicação.

Imagem ilustrativa da imagem Saúde de Ponta Grossa deve se preocupar com o envelhecimento da população

Diagnóstico Demográfico e Projeções de Longo Prazo (2023-2043)

Para compreender a exequibilidade do 'Programa de Metas', é imperativo analisar a pressão demográfica que Ponta Grossa suportará. O diagnóstico de 2023 indica que a cidade cresce a uma taxa geométrica anual (TGCA) de 1,17%, significativamente superior aos 0,82% do estado do Paraná.

Esse crescimento não é uniforme; o fenômeno de espraiamento urbano desloca a população para as periferias, enquanto o centro histórico apresenta taxas de crescimento negativas. As projeções indicam que a população da área de influência direta (Mesorregião Centro Oriental) chegará a 850 mil habitantes em 2050, com Ponta Grossa consolidando-se como o epicentro desse adensamento.

A mudança no perfil etário é o fator de maior impacto estratégico: a idade média da população subirá de 34 para 42 anos até 2050, com o segmento acima de 65 anos crescendo a uma taxa de 3,71% ao ano no cenário base. Esta 'onda prateada' exige que o 'Plano de Metas' antecipe demandas em saúde geriátrica e acessibilidade urbana que hoje são secundárias.

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O aumento projetado de quase 80 mil novos domicílios até 2050 confirma a necessidade de um 'Programa de Metas' agressivo na infraestrutura básica e no ordenamento do uso do solo, para evitar que o custo da máquina pública se torne insustentável devido à baixa densidade urbana.

Saúde Pública: A Estratégia das Policlínicas e o Déficit de Leitos

O setor de saúde em Ponta Grossa vive um momento de reestruturação profunda. O diagnóstico de 2023 revelou que, apesar de ser um polo regional, a cidade possuía apenas 1,90 leitos por mil habitantes, valor muito abaixo dos 3 a 5 recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A dependência da capital, Curitiba, para casos de altíssima complexidade ainda é uma realidade, embora o município concentre 66% dos equipamentos de saúde da sua regional.

Descentralização e Regionalização do Atendimento

A resposta estratégica contida no 'Programa de Metas 2025-2028' é a criação de quatro policlínicas regionais. A primeira unidade, com investimento de R$ 30 milhões no bairro Contorno, exemplifica a mudança de paradigma: um equipamento de 3 mil metros quadrados com 40 consultórios, exames de imagem complexos (ressonância e tomografia) e pequenos procedimentos cirúrgicos. Esta medida visa aliviar os hospitais gerais e reduzir o tempo de espera por especialistas, um dos principais pontos de reclamação na Ouvidoria Municipal.

A análise crítica baseada no documento da OMS sobre cidades saudáveis sugere que a infraestrutura física deve ser acompanhada por 'Políticas Públicas Saudáveis' que integrem o ambiente urbano à prevenção de doenças crônicas. Ponta Grossa apresenta 37,6% de sua população adulta com algum grau de obesidade, valor superior à média estadual, o que justifica o foco do plano em prevenção e saúde mental.

O fechamento do ano de 2025 com R$ 354 milhões investidos na saúde, um aumento de 14% em relação ao ano anterior, demonstra que a gestão municipal está priorizando a recomposição orçamentária do setor para sustentar as novas policlínicas.

Educação: Alfabetização Precoce e o Gargalo das Creches

A educação básica é, possivelmente, o eixo de maior sucesso pedagógico no atual momento estratégico. Em 2025, o município atingiu a marca de 83% das crianças do 2º ano alfabetizadas, superando a meta nacional projetada para 2030. Esse resultado é fruto de um investimento robusto que ultrapassou R$ 508 milhões em 2025, focando na contratação de profissionais e tecnologias pedagógicas.

A Universalização dos CMEIs

Contudo, o desafio da 'universalização' prometido no 'Programa de Metas 2025-2028' concentra-se na Educação Infantil. O diagnóstico de 2023 apontou que apenas cerca de um quarto da demanda por creches (0 a 3 anos) era atendida satisfatoriamente, com uma fila de espera histórica de milhares de crianças.

A prefeitura iniciou um programa de construção de 15 novas unidades e a reorganização de vagas, buscando suprir esse déficit que impacta diretamente na inserção das mulheres no mercado de trabalho.

A integração do modelo 'Escola 4.0' no plano de metas visa conectar o ensino básico ao setor tecnológico, preparando a força de trabalho para o ecossistema de inovação 'Vale dos Trilhos'. Entretanto, a projeção de matrículas para 2050 indica uma estabilização do volume de alunos devido à queda na natalidade, o que sugere que o foco administrativo deve migrar da expansão física para o aprofundamento da qualidade e da educação em tempo integral.

Segurança Pública: Da Guarda Civil à Polícia Municipal

O momento estratégico de Ponta Grossa na segurança pública é definido por uma mudança radical de paradigma jurídico e operacional. Historicamente, a cidade enfrentou altos índices de homicídios dolosos e furtos, concentrados principalmente na região central e no bairro Uvaranas. Em 2022, os índices de violência por habitante colocavam a cidade em uma posição desfavorável em relação a Londrina e Cascavel.

A Nova 'Polícia Municipal'

O 'Programa de Metas 2025-2028' consolida a transformação da Guarda Civil Municipal (GCM) em Polícia Municipal, amparada pela aprovação do Projeto de Lei nº 39/2025. Esta lei autoriza o acréscimo de 351 novas vagas, elevando o efetivo de 369 para 720 agentes (um aumento de 95%).

A sanção da Lei nº 14.649 permite que a GCM exerça o policiamento ostensivo e comunitário com maior segurança jurídica, aproveitando a tese de constitucionalidade fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A 'Muralha Digital' e a Inovação Tecnológica

Complementando o reforço do contingente humano, o município implantou a 'Muralha Digital', um sistema que integra 36 câmeras de alta resolução iniciais (em expansão) com reconhecimento facial e leitura de placas.

Em 2026, esse sistema foi responsável por um impacto positivo mensurável na recuperação de veículos furtados e na redução do tempo de resposta em ocorrências criminais, rendendo ao município o prêmio 'InovaCidade'.

O plano prevê ainda a expansão da iluminação LED para 100% da cidade, fator que o diagnóstico de 2023 já apontava como indutor de redução na criminalidade noturna.

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Infraestrutura e Mobilidade: O Desafio da Cidade Conectada

O urbanismo de Ponta Grossa é condicionado por uma topografia acidentada e por um sistema viário de 1992 que atingiu a exaustão. O diagnóstico de 2023 apontou que as vias arteriais estariam saturadas até 2028 se não houvesse investimentos em novos modais e infraestrutura de escoamento.

O Programa 'Asfalto Novo' e Corredores de Infraestrutura

A prefeitura aposta no programa 'Asfalto Novo', que em 2025 já pavimentou dezenas de regiões, com foco em áreas historicamente negligenciadas como a Vila Vilela e o Núcleo Borsato.

O 'Programa de Metas' prevê a conclusão de 18,71 km de novos corredores de tráfego até 2028, divididos em etapas que contemplam as avenidas Antonio Saad, Pedro Wosgrau (Contorno Leste) e Aldo Bonde. Essas obras são cruciais para retirar o tráfego pesado de caminhões do centro urbano, otimizando a logística regional.

Fragilidades na Mobilidade Ativa

A análise crítica revela um ponto de vulnerabilidade: o 'Plano Cicloviário'. Embora o plano de metas preveja reformar 100% das ciclovias existentes e implantar 50% das novas, a execução física em 2025 sofreu atrasos devido à redução de quadros técnicos (arquitetos) no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan).

Além disso, o diagnóstico de 2023 mostrou que a infraestrutura cicloviária atual é avaliada como 'ruim ou péssima' pela maioria dos usuários, evidenciando que a entrega quantitativa de asfalto deve ser acompanhada de qualidade e conectividade modal para evitar a 'demanda induzida' de automóveis particulares.

Dinâmica Econômica e Vocação Industrial: O Caminho para 2043

A economia de Ponta Grossa atravessa um processo de 'oligoespecialização' de alta produtividade. O município consolidou-se como o maior produtor de trigo e o segundo maior de soja no estado do Paraná (em seus respectivos núcleos regionais), mas a grande transformação ocorre na agroindústria de sentido amplo.

Industrialização e Tecnologia

O setor industrial de Ponta Grossa é o mais forte do interior do estado, com um PIB industrial de R$ 20,11 bilhões em 2020, superado apenas por Curitiba. A cidade apresenta um crescimento notável em indústrias de nível tecnológico médio-alto (fabricação de estruturas metálicas, veículos e maquinaria industrial), que registraram um aumento de 76,79% no número de empregos em uma década.

O 'Programa de Metas' apoia essa vocação através da Agência de Inovação e do programa 'Vale dos Trilhos', que busca transformar a cidade em um hub de startups.

Contudo, a análise estratégica alerta para o risco da nova ferrovia (Ferroeste), que poderia criar uma rota alternativa de escoamento de safras, reduzindo o papel logístico de Ponta Grossa. Por isso, o foco do plano em atrair investimentos de transformação e valor agregado (agroindústria complexa) é a defesa necessária para manter a sustentabilidade econômica no horizonte de 2043.

O salto na construção civil (47% de crescimento) reflete o aquecimento do mercado imobiliário e as obras públicas de infraestrutura, que são pilares da atual gestão para garantir o desenvolvimento pleno.

Meio Ambiente e o Desafio da Resiliência Climática

Embora Ponta Grossa se destaque na produção de biogás - com a primeira usina termelétrica municipal do país suprindo 30% da demanda energética pública - o diagnóstico de 2023 apontou fraquezas graves na gestão hídrica. O município possui 12 sub-bacias e um relevo favorável a alagamentos, mas carecia de um plano diretor de drenagem robusto e de sistemas de alerta precoce para a população vulnerável.

O 'Programa de Metas 2025-2028' aborda tangencialmente essas questões através da consolidação do Jardim Botânico e da manutenção de áreas verdes. No entanto, a análise crítica sugere que, para atingir o desenvolvimento 'pleno' e sustentável, o município deve integrar a infraestrutura de 'asfalto novo' com soluções de drenagem sustentável para evitar que a impermeabilização do solo agrave as enchentes nos fundos de vale, onde se concentram as ocupações irregulares identificadas pelo Iplan.

Síntese SWOT e Riscos Estratégicos do 'Plano de Metas'

A sistematização da análise crítica permite identificar as forças que sustentam o plano e as ameaças que podem comprometer o horizonte de 2043.

Forças e Oportunidades

- Maturidade Fiscal: a capacidade de pagamento 'Nível A' permite o acesso a créditos para obras de grande vulto;

- Polo Educacional: a excelência em alfabetização e a presença de universidades (Universidade Estadual de Ponta Grossa, Universidade Tecnológica Federal do Paraná) garantem capital humano para a indústria 4.0;

- Segurança Jurídica: a transformação da GCM em Polícia Municipal oferece uma resposta estrutural à violência urbana;

- Vocação Agroindustrial: a transição de corredor logístico para centro de transformação de valor agregado protege a economia local de oscilações globais.

Fraquezas e Ameaças

- Dependência de Repasses: a baixa proporção de receita própria (38,3%) torna o município vulnerável a cortes federais e estaduais;

- Déficit de Mão de Obra Técnica: a dificuldade de preencher quadros especializados no Iplan ameaça o cumprimento dos prazos de projetos complexos;

- Envelhecimento Populacional: o crescimento acelerado da população idosa exigirá recursos que hoje estão sendo direcionados majoritariamente para a educação básica;

- Ameaça Logística: a nova malha ferroviária estadual pode reduzir a importância estratégica do entroncamento rodoferroviário de Ponta Grossa.

Conclusões sobre a 'Aposta' no Desenvolvimento Pleno

O 'Programa de Metas 2025-2028' de Ponta Grossa é um documento técnico ambicioso que endereça corretamente os principais sintomas de uma cidade em rápido crescimento. A descentralização da saúde através de policlínicas, a universalização da educação infantil e o fortalecimento do braço armado municipal através da Polícia Municipal são respostas diretas aos anseios detectados no diagnóstico de 2023.

Entretanto, para que essa 'aposta' resulte em desenvolvimento pleno, a gestão da prefeita Elizabeth Silveira Schmidt (União) deve focar na convergência entre os planos setoriais. O sucesso da pavimentação depende da drenagem; a eficácia da segurança digital depende da inclusão social; e a sustentabilidade fiscal depende da atração de indústrias de alta tecnologia que remunerem melhor o trabalhador local, elevando a arrecadação de ISS e IPTU sem sobrecarregar as famílias de baixa renda.

VÍDEO
Vídeo resume a opinião do conselheiro Mário | Autor: Colaboração.

A trajetória de Ponta Grossa rumo a 2043 está traçada. O quadriênio 2025-2028 será o teste definitivo da capacidade de execução de uma prefeitura que, pela primeira vez na história recente, possui um mapa técnico detalhado e os recursos financeiros para implementá-lo".

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

Leia abaixo um resumo do artigo

- A 'Onda Prateada' e o Desafio Demográfico: Ponta Grossa cresce acima da média estadual, mas caminha para um envelhecimento acelerado. A projeção é que a idade média suba de 34 para 42 anos até 2050. Isso exige que o Plano de Metas pare de focar apenas em expansão física e comece a priorizar urgentemente a saúde geriátrica e a acessibilidade urbana;

- Saúde: descentralização via Policlínicas: Para combater o déficit histórico de leitos e a dependência de Curitiba, a estratégia central é a criação de quatro policlínicas regionais (como a do bairro Contorno). O objetivo é oferecer exames complexos e especialidades fora dos hospitais gerais, aliviando o sistema e reduzindo as filas de espera;

- Segurança e Infraestrutura Integrada: o artigo destaca a transformação da Guarda Municipal em Polícia Municipal (dobrando o efetivo) e a implementação da Muralha Digital. Contudo, o especialista alerta: obras como o "Asfalto Novo" só terão sucesso pleno se forem integradas a sistemas de drenagem eficientes para evitar alagamentos e se a segurança tecnológica vier acompanhada de inclusão social.

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