Preço do trigo dispara em março e produtores retraem vendas no Sul
Valorização atinge maiores patamares em seis meses sob influência do dólar alto e projeção de menor área plantada na próxima safra

O mercado de trigo em grão registrou uma forte escalada de preços ao longo de março, retomando níveis de valorização que não eram vistos desde outubro do ano passado nos estados da Região Sul. Em São Paulo, o cenário se repete, com as cotações atingindo os maiores valores dos últimos seis meses, impulsionadas por um conjunto de fatores macroeconômicos e expectativas de oferta restrita.
De acordo com o boletim informativo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a alta está ancorada na valorização do dólar frente ao real e na subida das cotações no mercado internacional. Esses fatores encarecem o produto importado, elevando automaticamente o preço do cereal doméstico para manter a paridade competitiva. As informações foram divulgadas originalmente pelo portal de notícias Agrolink.
RETRAÇÃO NA OFERTA E ESTOQUES DA INDÚSTRIA
Diante da curva ascendente de preços, pesquisadores do Cepea observam que os produtores brasileiros estão "segurando" o grão. A estratégia de retrair a oferta no mercado spot visa aguardar novas valorizações no curto prazo. Essa postura é reforçada pela previsão de uma safra nacional menor, com expectativa de redução na área a ser plantada, o que deve limitar a disponibilidade do cereal futuramente.
Do outro lado da cadeia, a indústria moageira começa a sentir a pressão da entressafra. Com a necessidade de recompor estoques para manter a produção de farinhas, os moinhos devem intensificar a demanda nas próximas semanas, fator que pode sustentar as cotações em níveis elevados.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Alta Generalizada: Os preços do trigo no Sul e em São Paulo voltaram aos níveis de outubro de 2025, impulsionados pelo câmbio e pelo mercado externo.
- Estratégia do Produtor: Vendedores estão limitando a oferta no mercado físico (spot) na expectativa de preços ainda mais atrativos devido à projeção de safra menor.
- Pressão nos Moinhos: A proximidade da entressafra obriga a indústria a buscar a recomposição de estoques, o que gera uma disputa pelo grão disponível e mantém o viés de alta.




















