Café atinge maior patamar em sete semanas com receio de oferta global restrita
Cotações em Nova York saltam 2,32% impulsionadas pela retenção de estoques no Brasil e bloqueios logísticos no Oriente Médio; açúcar e cacau acompanham tendência de alta

O mercado futuro do café arábica registrou uma forte valorização nesta terça-feira (24) na Bolsa de Nova York (ICE), refletindo um cenário de aperto na oferta mundial. O contrato com vencimento em maio encerrou o dia com alta de 2,32%, cotado a US$ 3,178 por libra-peso. O movimento é sustentado pela estratégia de cafeicultores brasileiros, que estão retendo a produção à espera de preços ainda mais elevados, gerando escassez no mercado à vista.
Além do fator doméstico, a geopolítica internacional exerce pressão direta sobre os preços. O fechamento do Estreito de Ormuz tem interrompido rotas marítimas vitais, elevando as taxas de frete, custos de seguro e combustíveis. No campo produtivo, o clima em Minas Gerais, principal estado produtor do Brasil, acende um alerta. A região recebeu apenas 45% da média histórica de chuvas na última semana, segundo a Somar Meteorologia.
As informações, publicadas pela CNN Brasil, destacam que, apesar do otimismo nos preços, a consultoria StoneX elevou a estimativa da safra brasileira 2026/27 para um recorde de 75,3 milhões de sacas. No entanto, o mercado futuro ignora a projeção de abundância a longo prazo, focando nos gargalos logísticos e climáticos imediatos.
PANORAMA DAS SOFT COMMODITIES
O setor sucroenergético também operou em alta, com o açúcar atingindo o maior nível desde outubro de 2025. O avanço do petróleo incentiva usinas a desviarem mais cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta do adoçante. Já o cacau subiu 1,73% (US$ 3.235/t), pressionado pelo risco de falta de fertilizantes na África Ocidental devido ao bloqueio no Golfo. O suco de laranja foi o destaque do dia, disparando 6,17%.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Café em Alta: Arábica sobe 2,32% com produtores brasileiros segurando vendas e clima seco em Minas Gerais afetando a produção.
- Logística Global: O fechamento do Estreito de Ormuz encarece o frete e ameaça o fornecimento de fertilizantes para o cacau na África.
- Energia vs. Alimento: A alta do petróleo empurra a cana para o etanol, elevando as cotações do açúcar em Nova York.




















