Emprego no agro cresce, mas saldo fica abaixo da relevância do setor no PIB
Números do Caged mostram que a agropecuária criou mais de 23 mil novos postos de trabalho em janeiro, mas, entre os cinco setores monitorados, foi o menos representativo

Brasil afora, para dentro das porteiras, a falta de mão de obra é um problema comum entre produtores e empresários do agro, reflexo de uma transição no mercado de trabalho nas cadeias produtivas, que passa pela automação tecnológica dos segmentos, pelo avanço da industrialização e pela maior exigência de capacitação formal. Além dessas variáveis, o fantasma do êxodo rural assombra famílias de tradição agropecuária que não estão concluindo a sucessão no campo.
Fato é que a geração de empregos no agro é díspar. De um lado, a criação de vagas formais no setor abriu 2026 com saldo positivo de pouco mais de 23 mil postos em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Por trás desse saldo, estão 113,38 mil admissões, ante 90,31 mil desligamentos. Com isso, segundo o Novo Caged, o estoque de vagas na agropecuária ficou em 1,86 milhão no primeiro mês do ano — número que representa o total de vínculos ativos com carteira assinada no país no setor.
Mesmo assim, entre os cinco setores analisados pela pesquisa, o agro teve o pior desempenho. Comércio e indústria foram as atividades que mais criaram empregos em janeiro, com 56,8 mil e 55 mil postos, respectivamente.
Historicamente, janeiro é um mês em que algumas culturas estão sendo semeadas, outras em franco desenvolvimento e, portanto, os trabalhos de safra diminuem. Entretanto, o saldo de janeiro de 2025 foi maior: 37,13 mil vagas abertas na época.
Ao longo do ano passado, o ritmo de novas vagas encerrou com saldo líquido de 41.870 empregos formais, o que representa crescimento de 269% em relação a 2024, quando o setor havia gerado cerca de 11,3 mil vagas.
Esse ganho proporcional teve correlação com os impactos positivos de uma safra forte em 2025, impulsionando contratações no campo. Outro aspecto é que, nos últimos anos da série histórica, o setor oscilou com saldos moderados ou até negativos em determinados meses, refletindo sazonalidades das safras e pressões de custos de produção, como já expôs a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Atualmente, a ocupação no agronegócio é de cerca de 28 milhões de trabalhadores, conforme o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, da CNA/Cepea. Esse número representa cerca de 26% do total de ocupações no Brasil.
Embora ainda represente uma fatia menor do total de empregos criados no país — serviços e comércio seguem na liderança em termos absolutos —, o crescimento percentual na agropecuária em 2025 sugere resiliência e indica que os impactos no emprego do setor são cada vez mais sensíveis às condições de produção e à dinâmica das cadeias de valor do agronegócio.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Saldo Positivo, mas Desempenho Inferior: O setor abriu 23 mil novas vagas com carteira assinada em janeiro, alcançando um estoque de 1,86 milhão de trabalhadores formais. Apesar do saldo positivo, o agro teve o pior desempenho entre os cinco setores analisados pelo Novo Caged, ficando atrás do comércio, indústria e serviços.
- Sazonalidade e Comparativo Histórico: O resultado de janeiro de 2026 foi inferior ao de 2025 (37,1 mil vagas), refletindo o período de desenvolvimento das culturas, onde a demanda por mão de obra sazonal diminui. No entanto, o setor vem de um ano de forte recuperação, tendo fechado 2025 com um crescimento de 269% na geração de empregos em relação a 2024.
- Desafios Estruturais e Modernização: O setor enfrenta escassez de mão de obra devido ao êxodo rural e à falta de sucessão familiar. A transição para um campo mais tecnológico exige maior capacitação formal, tornando o mercado de trabalho no agro mais dependente da qualificação técnica e das oscilações nos custos de produção.
Com informações: CNN Brasil.





















