Concessão do Aeroporto Sant'Ana pode ampliar número de conexões em Ponta Grossa
Enquanto tratativas da Prefeitura de Ponta Grossa avançam, o setor produtivo pleiteia um modal eficiente e terminais de outros municípios paranaenses são citados como exemplos a serem seguidos

Às vésperas de completar um ano sem voos comerciais, o Aeroporto Sant’Ana voltou ao centro do debate em Ponta Grossa com uma novidade importante: o terminal foi incluído na lista de aeroportos regionais que poderão ser repassados ao futuro operador do Aeroporto de Brasília, dentro do modelo de concessão em blocos organizado pelo Governo Federal. O pacote prevê 29 aeroportos regionais e, entre eles, está Ponta Grossa. Ao mesmo tempo, o Sant’Ana segue em fase de transformação, com obras de R$ 35 milhões para novo terminal, taxiway e ampliação do estacionamento, enquanto a Prefeitura e o Estado tratam da ampliação da pista para 2.500 metros.
Em relação aos investimentos por parte do Governo do Estado, a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa declarou ao Portal aRede que o Aeroporto Sant’Ana não tem sido prioridade. “A infraestrutura aeroportuária é um ativo estratégico para a competitividade regional. No entanto, é importante destacar, sob uma ótica técnica, que historicamente o Aeroporto Sant’Ana não tem sido priorizado, no âmbito do planejamento estadual, com o mesmo nível de sensibilidade e alocação de recursos verificados em outros aeroportos regionais paranaenses”.
Para a prefeitura, a assimetria de investimentos impacta diretamente a capacidade de avanço das etapas necessárias à retomada de voos comerciais, especialmente no que diz respeito à ampliação de pista, adequações de segurança operacional e ganhos de escala para atração de companhias aéreas. “Tratam-se de intervenções que exigem elevado aporte de capital e articulação interfederativa, não sendo viáveis apenas com recursos próprios do município”.
INFRAESTRUTURA
Diante desse cenário, Ponta Grossa tem adotado uma estratégia ativa de diversificação de fontes de financiamento e governança. “Nesse sentido, avançamos no diálogo com o Governo Federal, por meio de programas estruturantes para a aviação regional, o que resultou na contemplação do aeroporto em iniciativas voltadas à modernização e ampliação da infraestrutura”, comentou a Prefeitura.

O órgão ressaltou que, paralelamente, está em curso a estruturação de um modelo de concessão à iniciativa privada, alinhado às melhores práticas regulatórias do setor, com o objetivo de garantir maior eficiência operacional, sustentabilidade econômico-financeira e capacidade de investimentos. “Esse movimento é fundamental para reposicionar o aeroporto como um vetor de desenvolvimento, ampliando sua atratividade para operadores aéreos e integrando-o de forma mais competitiva à malha logística nacional”.
Por fim, a prefeitura reiterou que o município permanece à disposição para atuar de forma coordenada com o Governo do Estado do Paraná, entendendo que uma atuação mais robusta e sensível às especificidades de Ponta Grossa será determinante para acelerar a conclusão das obras e viabilizar, com maior celeridade, a retomada dos voos comerciais.
NOVA OPERAÇÃO
A leitura da Prefeitura é de que o aeroporto não pode ficar restrito ao cenário atual. Segundo a prefeita Elizabeth Schmidt (União Brasil), a gestão abriu conversas com empresas do setor aéreo e logístico para apresentar o potencial de Ponta Grossa, além de levar o tema ao Ministério de Portos e Aeroportos para discutir alternativas de concessão e ampliar a participação da iniciativa privada.

A administração municipal também sustenta que segue trabalhando tecnicamente para viabilizar a ampliação da pista, considerada etapa decisiva para aumentar a capacidade operacional do Sant’Ana e torná-lo mais atrativo a novas rotas e investimentos. Esse movimento ocorre em paralelo ao debate sobre infraestrutura logística e ao esforço da cidade para sustentar o ritmo de expansão industrial.
COMPETITIVIDADE
No setor produtivo, o entendimento é o mesmo: aeroporto é infraestrutura de desenvolvimento. A Acipg incluiu a ampliação do aeroporto entre as prioridades de 2026, ao lado do Porto Seco, e tratou o tema como parte da agenda estratégica para uma cidade que cresce em indústria, emprego e logística. Na última semana, segundo o presidente da entidade, Leonardo Puppi Bernardi, representantes do setor produtivo visitaram, juntos, o Aeroporto Sant’Ana para acompanhar o andamento das obras no local.

A entidade defende mais infraestrutura para acompanhar o porte econômico de Ponta Grossa e sustentar a chegada de novos investimentos, em um momento em que a Secretaria de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional também trabalha com foco em capacitação e retenção de mão de obra.
EXEMPLOS DE OUTRAS CIDADES
Na avaliação do superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, traz referências dos avanços de Cascavel, que ampliou pista e terminal e passou a atrair mais companhias, e de Guarapuava, que recebeu anúncio de investimento de cerca de R$ 100 milhões para ampliar a estrutura aeroportuária.

O deputado estadual Moacyr Fadel (PSD) compartilhou da mesma opinião. “A experiência de outros municípios, como Maringá e Cascavel, nos mostra que é possível ter um aeroporto bem estruturado atendendo a demanda regional e atrativo para as companhias áreas”.
O cenário, portanto, combina urgência e planejamento. No curto prazo, o Sant’Ana segue dependente das obras em andamento e da costura institucional entre Prefeitura, Estado e União. No horizonte mais amplo, a pista maior e a possível concessão federal abrem uma nova janela para recolocar Ponta Grossa no mapa da aviação regional. Até lá, a cidade tenta evitar que a falta de voos comerciais seja um grande impacto no seu desenvolvimento.




















