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Lápide encontrada no São José inquieta ponta-grossenses

Ponta Grossa

20 de julho de 2021 14:04

Da Redação


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Quem será que foi esse homem? Provavelmente, nunca saberemos ao certo, mas dá pra especular Foto: André Rosa/Facebook
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Sepultado em 16 de março de 1927, Polycarpo R. Borges chama a atenção 94 anos depois. Quem foi Polycarpo?

 

Os ponta-grossenses estão ansiosos para saber quem foi Polycarpo R. Borges, conhecido pelo apelido de Poly, e que foi sepultado no Cemitério Municipal do São José. A curiosidade se aguçou a partir de uma publicação de André Rosa. Ele produziu um texto que, junto com uma foto, ganhou mais 149 comentários, 672 curtidas e 209 partilhas em menos de 24 horas. ‘Talvez a mais curiosa lápide do cemitério central de PG. Quem será que foi esse homem? Provavelmente, nunca saberemos ao certo, mas dá pra especular’, assinala.

O texto é uma verdadeira aula de história e vale a leitura:

Lápide encontrada no Cemitério Municipal São José:

"Aqui dorme Polycarpo R. Borges (Poly)

Nasc. A 5-8-1804

Fall. a 16 de Março de 1927

Com 123 anos, 7 mezes e 20 dias de idade

Saudades de sua Espoza Claudina Borges"

Talvez a mais curiosa lápide do cemitério central de PG. Quem será que foi esse homem? Provavelmente, nunca saberemos ao certo, mas dá pra especular: Poly nasceu no tempo do Brasil Colônia (antes da chegada da Família Real, em 1808). Contemporâneo da Coroação do Rei D. João VI, viveu sua adolescência durante o Reino do Brasil, Portugal e Algarves (até 1821). Era um jovem quando a Independência foi proclamada (em 1822), foi súdito do imperador D. Pedro I, acompanhou sua abdicação, viveu sob a Regência e Coroação de D. Pedro II, e testemunhou seu longo reinado. Também foi testemunha de toda a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1864-1870), tinha 90 anos quando acabou a Guerra de Canudos (1897), certamente viu os soldados passarem pelas ruas de PG durante a Guerra do Contestado (1912-1916) vivenciou a escravatura e o fim da escravidão (1888), já era um octogenário quando da proclamação da República (1889), foi testemunha da primeira ditadura militar republicana (com Floriano Peixoto). Foi contemporâneo da invenção da Fotografia (1839), do Cinema (1895), e talvez tenha ouvido as primeiras transmissões radiofônicas no Brasil (1922), por onde talvez tenha ouvido falar da Semana de Arte Moderna (1922). Deve ainda ter se espantado com o naufrágio do Titanic (1912), com a Revolução Bolchevique (1917), a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Coluna Prestes (1924-1927). Sem falar que foi provável testemunha do Tenentismo (1922-1927). Viveu todo o período da República do Café com Leite e por muito pouco, não viu Getúlio Vargas chegar ao Poder.

Viu nascerem o Choro (século 19) e o Samba (1916).

Era mais velho e viveu mais do que Gonçalves Dias (1823-1854), Machado de Assis (1839-1908), José de Alencar (1829-1877). Era mais velho do que Noel Rosa (1910-1937).

Nasceu num mundo rural e antiquado, morreu às vésperas da Era Vargas.

E deixou uma senhora viúva!!!

Que vida, hein?

Quem tiver informações sobre Polycarpo R. Borges, entre em contato com o Portal #aRede: 42 9118-4382

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