Brechós online geram renda extra e incentivam o desapego

Mix

14 de agosto de 2020 05:45

Dani Ribeiro


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Em Ponta Grossa, empreendedoras estão fazendo sucesso na web com perfis de revenda

Seja para encontrar uma peça exclusiva, um preço mais em conta, ou pelo desejo de contribuir com a saúde do meio ambiente, cada vez mais pessoas estão aderindo à compra de roupas, calçados e acessórios de segunda mão. Os brechós estão por todos os lugares, principalmente na web, que oferece praticidade tanto para quem quer desapegar como para quem quer garimpar novas peças. Assim, o mercado que por muito tempo foi estigmatizado, hoje é um sucesso.

Navegando por sites e redes sociais dá para encontrar brechós mais abrangentes e outros especializados, como os que trabalham com moda vintage, roupas de luxo, moda masculina e infantil. Esse é o caso dos brechós da Bianca Silveira Dzazio, de 24 anos, o Desapeguei migaa (clique aqui para acessar) e o @desapegueimigaakids, que, juntos, somam mais de seis mil seguidores no Instagram.

A jovem, que é formada em Direito, começou a vender os desapegos quando estava desempregada, buscando uma ajuda financeira, mas um ano e meio depois e com uma renda de aproximadamente R$ 3 mil por mês, ela não pensa em arrumar outro emprego. “Eu comecei a pegar jeito na coisa e amar vender, amar interagir com as clientes e principalmente incentivar a moda circular”, comenta Bianca.

Economia

A questão econômica é um dos fatores que mais influenciam o consumo da moda ‘second hand’. Karin Massalak, de 30 anos, tem dois filhos pequenos, o João de cinco anos, e a Helena de três anos, e segundo ela, mais de 70% do guarda-roupa das crianças veio de lojas de revenda. À medida que as peças vão ficando pequenas, a dona de casa coloca elas novamente em circulação e repõe os armários com o dinheiro arrecadado.

“Encontro em brechós roupas de excelente estado, muitas de marcas conhecidas seminovas por um preço muito abaixo de quando se compra na loja. Acho muito bacana essa moda sustentável, de quando uma coisa que para outro já não serve, outra pessoa pode usar muito ainda”, relata Karin. A qualidade, aliás, é outro ponto que chama atenção nesse segmento, e se engana quem ainda pensa que brechó é lugar de ‘roupa velha’.

“Brechós são locais de roupas novas e seminovas, que não deram certo em outras clientes, todo mundo tem no seu guarda-roupa algo que não usa, ou nunca usou e são essas peças que quero incentivar as meninas desapegarem. A minha visão é que isso vire tendência em Ponta Grossa e que eu consiga incentivar cada vez mais a moda circular”, salienta a empreendedora Bruna Dzazio.

Exclusividade

A cultura do desapego acaba se tornando um estilo de vida para quem dá uma chance para esse mercado. Foi o que aconteceu com a Geovana Chemim, pedagoga de 26 anos, que influenciada pela mãe, dona Almerinda Ramos, de 60 anos, começou a frequentar brechós e bazares beneficentes. Atualmente, juntas, elas cuidam de um perfil de desapegos no Instagram, o Varal da Ge (clique aqui para acessar), que em poucos meses já soma mais de mil seguidores. Na página, as peças mal são publicadas e já tem fila de espera.

Nesse caso, o diferencial, além do precinho, é a exclusividade, já que cada peça é garimpada com carinho. “A gente percebe que o que prevalece muitas vezes não é só a questão financeira de pagar menos por uma peça, mas tudo que a compra em si, envolve. Eu brinco que a peça sempre encontra a pessoa perfeita para ela. Porque quando entramos no perfil da cliente na rede social, é visível que tem tudo a ver com o gosto e personalidade dela. Não é como nas lojas que você tem todas as numerações. É aquela única peça, que serviu perfeitamente em você, ou seja, era para ser sua”, conta Geovana.

Oportunidade

O perfil administrado pela Geovana, é apenas um de muitos que surgiram ou migraram para a web durante a pandemia do novo coronavírus. Com as restrições de locomoção, incertezas econômicas, e a atenção para a ciência e o meio ambiente, a pandemia se tornou catalizadora do consumo sustentável e das vendas pela internet.

A previsão é que essa mudança nos hábitos de compra continue ascendendo. De acordo com o relatório de revenda de 2020 da Thredup (clique aqui para acessar), junto com a GlobalData (clique aqui para acessar), a revenda online deve crescer 414% nos próximos cinco anos, enquanto o varejo deve encolher 4% no mesmo período. A Bianca, do desapegueimiga, percebeu essa oportunidade, e ao invés de investir em um ponto fixo para o brechó, vai migrar do Instagram para um site próprio. “Acredito que o mundo online e a moda circular são o futuro”, afirma a empreendedora

O mundo agradece

Reutilizar também faz bem para o meio ambiente, já que o mercado da moda é um dos mais poluentes do mundo. “São vários os benefícios que essa compra proporciona, como a diminuição do consumismo, e consequentemente da exploração da mão de obra barata, que ainda acontece muito, a diminuição do lixo e com isso a preservação do meio ambiente, e o reuso, que acaba dando um maior tempo de vida útil pra peça”, explica Geovana Chemim.

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