UEPG desenvolve variedades inéditas de milho verde e superdoce
Após duas décadas de estudos genéticos, pesquisadores alcançam grãos com sabor superior e alta produtividade, unindo tradição crioula e inovação tecnológica

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) alcançaram um marco para o agronegócio nacional com o desenvolvimento de duas novas variedades pré-comerciais de milho. O projeto, liderado pelo professor Rodrigo Matiello, do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade, apresenta ao mercado o milho verde, derivado de raças crioulas, e o milho superdoce. O trabalho é fruto de mais de 20 anos de dedicação acadêmica e científica.
Diferente dos híbridos convencionais, as variedades desenvolvidas são do tipo Variedade de Polinização Aberta (VPA). Elas foram aprimoradas por meio do método de seleção recorrente, que consiste em ciclos repetitivos de plantio, observação e recombinação dos melhores exemplares em campo e laboratório. Essa metodologia, realizada em parceria com o professor José Raulindo Gardingo e alunos do Grupo de Melhoramento Genético da UEPG, resultou em espigas maiores, com cores vibrantes e grãos mais graúdos. As informações são do portal de notícias da UEPG.
INOVAÇÃO A PARTIR DA TRADIÇÃO
A base do milho verde reside nas raças crioulas, conhecidas pelo sabor agradável, mas que originalmente possuem grãos menores e coloridos. Após nove ciclos de seleção, os pesquisadores conseguiram manter as características sensoriais, aumentando significativamente o padrão comercial. Atualmente, uma espiga de qualidade do projeto apresenta cerca de 15 cm de comprimento e 3 cm de diâmetro.
Já o milho superdoce traz uma mutação genética natural que impede a conversão do açúcar em amido, resultando em um teor de doçura oito vezes maior que o do milho comum. Segundo Matiello, enquanto o mercado foca no consumo de milhos doces enlatados, a variedade da UEPG é ideal para o consumo in natura, oferecendo textura e palatabilidade inconfundíveis.
BENEFÍCIOS PARA A AGRICULTURA FAMILIAR
O modelo de Polinização Aberta oferece vantagens estratégicas para o pequeno produtor:
- Colheita Escalonada: Ao contrário dos híbridos, que florescem simultaneamente, as VPAs permitem uma colheita distribuída no tempo.
- Autonomia: O agricultor pode produzir sua própria semente para a safra seguinte.
- Aproveitamento Integral: Os resíduos podem ser utilizados para alimentação animal e cobertura de solo (palhada).
PRÓXIMOS PASSOS
Embora os resultados já sejam visíveis e "palatáveis", as variedades ainda passarão por testes comparativos finais com concorrentes de mercado. Após essa fase, os grãos seguirão para registro e validação junto ao Ministério da Agricultura. A expectativa é que o milho verde originado da raça crioula chegue ao mercado em aproximadamente dois anos. O nome comercial das variedades ainda não foi definido, mas o professor Matiello planeja uma homenagem à Universidade.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Inovação Científica: A UEPG desenvolveu variedades inéditas de milho verde (base crioula) e superdoce com sabor e tamanho superiores aos do mercado atual.
- Foco no Produtor: As sementes do tipo Polinização Aberta (VPA) favorecem a agricultura familiar, permitindo autonomia na produção de sementes e colheita escalonada.
- Prazo e Registro: Os materiais estão em fase final de testes comparativos e devem estar disponíveis comercialmente em cerca de dois anos, após registro no Ministério da Agricultura.





















