Brasil se prepara para um ano forte nas exportações de algodão em 2026
Brasil dispõe de capacidade portuária suficiente para sustentar volumes

Na primeira reunião bimestral de 2026, realizada na última semana, a Associação Nacional dos Exportadores de algodão (Anea) consolidou os números finais de 2025 e divulgou as primeiras projeções para 2026. No ano-calendário de 2025 (janeiro a dezembro), as exportações brasileiras de algodão totalizaram 3,027 milhões de toneladas (1,495 milhão no primeiro semestre e 1,532 milhão no segundo), com consumo doméstico estimado em 730 mil toneladas. Para 2026, a expectativa é de que as exportações alcancem 1,575 milhão de toneladas de pluma no primeiro semestre e 1,650 milhão no segundo.
Segundo a Anea, o Brasil dispõe de capacidade portuária suficiente para sustentar esses volumes, especialmente a partir de julho, período em que, por ser safra do Hemisfério Sul, o país se torna mais competitivo. A entidade também destaca que o país reúne condições logísticas para ampliar os embarques no segundo semestre, apesar de gargalos pontuais, como desafios operacionais no Porto de Santos.
DESEMPRENHO DA SAFRA
Em relação à produção, a Anea conclui que a safra 2024/2025 fechou em 4,26 milhões de toneladas, o maior volume da história recente, em linha com os números divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Para a safra recém-plantada 2025/2026, a associação projeta produção de 3,873 milhões de toneladas, uma redução aproximada de 9% frente ao ciclo recorde anterior. A queda é influenciada por um ambiente de preços mais baixos, menor margem para o produtor, pelo estágio final do plantio e por preocupações climáticas específicas, especialmente o excesso de chuvas no Mato Grosso neste momento.
ESTOQUE DE PASSAGEM
O estoque de passagem — volume disponível ao final do ano-calendário após deduzidas as exportações, o consumo interno e outras saídas — totalizou 2,899 milhões de toneladas em dezembro de 2025, cerca de 21% acima do registrado no ano anterior. Para dezembro de 2026, a projeção é de redução para 2,817 milhões de toneladas.
De acordo com o presidente da Anea, Dawid Wajs, esse aumento é natural diante do crescimento da safra e não reflete enfraquecimento estrutural da demanda, mas ajustes temporários de competitividade ao longo do ano. Em um contexto de maiores volumes mensais exportados, estoques mais robustos ajudam a garantir a oferta de algodão brasileiro ao longo de todo o ano.
“No primeiro semestre, o Brasil normalmente perde um pouco de competitividade para a safra do Hemisfério Norte. Ainda assim, registramos leve incremento nas exportações em relação ao ciclo anterior”, avalia.
DEMANDA INTERNA
O consumo doméstico em 2026 deve permanecer em 730 mil toneladas. No entanto, a entidade destaca o compromisso conjunto de produtores e da indústria têxtil nacional, representados pela Abrapa e pela Abit, de ampliar a agregação de valor no país, com meta de alcançar 1 milhão de toneladas no curto e médio prazo. “Para 2027, já vislumbramos a possibilidade de 740 mil toneladas serem destinadas às nossas fiações, malharias e tecelagens”, finaliza.
MISSÃO À ÍNDIA
Desde a última terça-feira (17), e até o dia 28 de fevereiro, a Anea estará representada na missão do programa Cotton Brazil à Índia, que acontece em sincronia com a missão da Presidência da República ao País. Na agenda da comitiva, que inclui produtores e exportadores, estão previstas visitas às fiações locais, além do Cotton Brazil Outlook índia, formato de interação consolidado do Cotton Brazil, no qual produtores e exportadores apresentam das vantagens competitivas da fibra nacional. O Cotton Brazil é o programa de promoção internacional do algodão Brasileiro, que reúne Anea, Abrapa e ApexBrasil.
Na temporada 2024/25, a Índia foi um dos destinos de destaque do algodão brasileiro, chegando a registrar 24% de participação de mercado nas importações da indústria indiana, contra 4%, no ciclo anterior. Este desempenho foi impulsionado tanto pelos trabalhos do Cotton Brazil, mas, sobretudo em função de uma política tarifária especial que eximiu de imposto de importação todo o algodão que chegasse ao país até o dia 31 de dezembro de 2025. A missão inaugura o calendário do Cotton Brazil em 2026.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Exportações e Produção: Após um 2025 recorde, com 3,027 milhões de toneladas exportadas, a Anea projeta que as vendas externas continuem fortes em 2026, podendo somar 3,22 milhões de toneladas. No entanto, a produção da safra atual (2025/26) deve recuar cerca de 9% (estimada em 3,87 milhões de toneladas) devido a preços mais baixos e ao excesso de chuvas no Mato Grosso.
- Logística e Competitividade: O Brasil mantém capacidade portuária para sustentar o volume de embarques, tornando-se mais competitivo a partir de julho (safra do Hemisfério Sul). O estoque de passagem encerrou 2025 em alta (2,89 milhões de toneladas), o que garante a oferta da pluma brasileira durante todo o ano, mesmo nos períodos de maior concorrência com o Hemisfério Norte.
- Mercado Interno e Missão na Índia: O consumo doméstico deve se manter em 730 mil toneladas em 2026, com metas de expansão para o futuro. No cenário internacional, uma comitiva brasileira cumpre agenda na Índia para consolidar a participação de mercado, que saltou de 4% para 24% nas importações indianas no último ciclo, impulsionada por acordos tarifários.
Com informações: Agrolink.





















