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Brasil se prepara para um ano forte nas exportações de algodão em 2026

Brasil dispõe de capacidade portuária suficiente para sustentar volumes

Produção da safra 2025/2026 deve recuar cerca de 9%
Produção da safra 2025/2026 deve recuar cerca de 9% -

Publicado por Eduarda Gomes

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Na primeira reunião bimestral de 2026, realizada na última semana, a Associação Nacional dos Exportadores de algodão (Anea) consolidou os números finais de 2025 e divulgou as primeiras projeções para 2026. No ano-calendário de 2025 (janeiro a dezembro), as exportações brasileiras de algodão totalizaram 3,027 milhões de toneladas (1,495 milhão no primeiro semestre e 1,532 milhão no segundo), com consumo doméstico estimado em 730 mil toneladas. Para 2026, a expectativa é de que as exportações alcancem 1,575 milhão de toneladas de pluma no primeiro semestre e 1,650 milhão no segundo.

Segundo a Anea, o Brasil dispõe de capacidade portuária suficiente para sustentar esses volumes, especialmente a partir de julho, período em que, por ser safra do Hemisfério Sul, o país se torna mais competitivo. A entidade também destaca que o país reúne condições logísticas para ampliar os embarques no segundo semestre, apesar de gargalos pontuais, como desafios operacionais no Porto de Santos.

DESEMPRENHO DA SAFRA

Em relação à produção, a Anea conclui que a safra 2024/2025 fechou em 4,26 milhões de toneladas, o maior volume da história recente, em linha com os números divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Para a safra recém-plantada 2025/2026, a associação projeta produção de 3,873 milhões de toneladas, uma redução aproximada de 9% frente ao ciclo recorde anterior. A queda é influenciada por um ambiente de preços mais baixos, menor margem para o produtor, pelo estágio final do plantio e por preocupações climáticas específicas, especialmente o excesso de chuvas no Mato Grosso neste momento.

ESTOQUE DE PASSAGEM

O estoque de passagem — volume disponível ao final do ano-calendário após deduzidas as exportações, o consumo interno e outras saídas — totalizou 2,899 milhões de toneladas em dezembro de 2025, cerca de 21% acima do registrado no ano anterior. Para dezembro de 2026, a projeção é de redução para 2,817 milhões de toneladas.

De acordo com o presidente da Anea, Dawid Wajs, esse aumento é natural diante do crescimento da safra e não reflete enfraquecimento estrutural da demanda, mas ajustes temporários de competitividade ao longo do ano. Em um contexto de maiores volumes mensais exportados, estoques mais robustos ajudam a garantir a oferta de algodão brasileiro ao longo de todo o ano.

“No primeiro semestre, o Brasil normalmente perde um pouco de competitividade para a safra do Hemisfério Norte. Ainda assim, registramos leve incremento nas exportações em relação ao ciclo anterior”, avalia.

DEMANDA INTERNA

O consumo doméstico em 2026 deve permanecer em 730 mil toneladas. No entanto, a entidade destaca o compromisso conjunto de produtores e da indústria têxtil nacional, representados pela Abrapa e pela Abit, de ampliar a agregação de valor no país, com meta de alcançar 1 milhão de toneladas no curto e médio prazo. “Para 2027, já vislumbramos a possibilidade de 740 mil toneladas serem destinadas às nossas fiações, malharias e tecelagens”, finaliza.

MISSÃO À ÍNDIA

Desde a última terça-feira (17), e até o dia 28 de fevereiro, a Anea estará representada na missão do programa Cotton Brazil à Índia, que acontece em sincronia com a missão da Presidência da República ao País. Na agenda da comitiva, que inclui produtores e exportadores, estão previstas visitas às fiações locais, além do Cotton Brazil Outlook índia, formato de interação consolidado do Cotton Brazil, no qual produtores e exportadores apresentam das vantagens competitivas da fibra nacional. O Cotton Brazil é o programa de promoção internacional do algodão Brasileiro, que reúne Anea, Abrapa e ApexBrasil.

Na temporada 2024/25, a Índia foi um dos destinos de destaque do algodão brasileiro, chegando a registrar 24% de participação de mercado nas importações da indústria indiana, contra 4%, no ciclo anterior. Este desempenho foi impulsionado tanto pelos trabalhos do Cotton Brazil, mas, sobretudo em função de uma política tarifária especial que eximiu de imposto de importação todo o algodão que chegasse ao país até o dia 31 de dezembro de 2025. A missão inaugura o calendário do Cotton Brazil em 2026.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Exportações e Produção: Após um 2025 recorde, com 3,027 milhões de toneladas exportadas, a Anea projeta que as vendas externas continuem fortes em 2026, podendo somar 3,22 milhões de toneladas. No entanto, a produção da safra atual (2025/26) deve recuar cerca de 9% (estimada em 3,87 milhões de toneladas) devido a preços mais baixos e ao excesso de chuvas no Mato Grosso.

- Logística e Competitividade: O Brasil mantém capacidade portuária para sustentar o volume de embarques, tornando-se mais competitivo a partir de julho (safra do Hemisfério Sul). O estoque de passagem encerrou 2025 em alta (2,89 milhões de toneladas), o que garante a oferta da pluma brasileira durante todo o ano, mesmo nos períodos de maior concorrência com o Hemisfério Norte.

- Mercado Interno e Missão na Índia: O consumo doméstico deve se manter em 730 mil toneladas em 2026, com metas de expansão para o futuro. No cenário internacional, uma comitiva brasileira cumpre agenda na Índia para consolidar a participação de mercado, que saltou de 4% para 24% nas importações indianas no último ciclo, impulsionada por acordos tarifários.

Com informações: Agrolink.

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