Embrapa debate diferentes desafios técnicos no SafraTec
Encontro de Soluções em Agronegócios irá abordar qualidade de execução na produção da soja

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Soja irá participar do 36º Encontro de Soluções em Agronegócios (SafraTec 2026), promovido pela cooperativa Cocamar, de 5 a 7 de fevereiro, em Floresta, no Paraná, apresentando cultivares de soja promissoras, assim como debatendo temas como qualidade de sementes, inoculação em soja, e manejo de percevejos em soja. Um dos destaques será estação técnica sobre manejo do solo. As cultivares de soja BRS 1064IPRO e BRS 2361 i2X, desenvolvidas pela Embrapa e Fundação Meridional, apresentam alto potencial produtivo, estabilidade e resistência a doenças para as regiões de indicação.
ESTAÇÃO MANEJO DE SOLO
A Embrapa Soja irá demonstrar resultados surpreendentes de manejo de solo e resistência à seca, na estação de manejo de solo. Uma trincheira irá demonstrar, como uma parcela de solo que sofreu compactação induzida (10 passadas de uma colhedora carregada) pode ser recuperada com a introdução da braquiária, seguido de sua dessecação para o plantio da soja. Os pesquisadores Júlio Franchini e Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, explicam que, muitas vezes, se atribui raízes profundas apenas à braquiária, porém, a análise do perfil de solo confirmou que as raízes da soja também romperam a barreira física e desceram em busca de água. O resultado prático desse enraizamento profundo, segundo os pesquisadores, é visível na parte aérea da planta. "Mesmo enfrentando mais de 15 dias de irregularidade de chuvas na região, a lavoura apresenta alto vigor e excelente qualidade visual, demonstrando que o manejo correto do solo é a chave para mitigar os efeitos de veranicos", afirma Franchini.
QUALIDADE DAS SEMENTES
A qualidade das sementes é um dos pilares para o sucesso da produção agrícola, especialmente em safras marcadas por desafios climáticos e operacionais. Este será o mote da palestra a ser ministrada, na próxima quinta-feira, 5 de janeiro, pelo pesquisador Fernando Henning, da Embrapa Soja. Para ele, o primeiro passo para garantir sementes de qualidade é compreender os conceitos básicos que envolvem o tema. “Sempre que falamos de qualidade, é fundamental chamar atenção para os testes disponíveis e para a correta interpretação dos resultados. As ferramentas existem, mas o produtor e o técnico precisam saber usá-las”, destaca o pesquisador.
Entre os principais desafios, apontados por Henning, estão os danos mecânicos durante a colheita, a escolha inadequada do momento de entrada das máquinas no campo e as condições climáticas adversas, como excesso de chuva e altas temperaturas. Henning ressalta ainda que colher fora da faixa ideal de umidade — seja muito úmido ou muito seco — compromete diretamente a qualidade da semente. “Nesse contexto, o uso de ferramentas simples pode fazer a diferença. Um exemplo é o uso do kit de determinação de danos mecânicos é essencial para regular as máquinas e minimizar perdas. Além disso, o produtor precisa estar atento ao ponto correto de colheita”, explica.
Outro teste importante na avaliação da qualidade das sementes é o chamado tetrazólio (Tz), método que permite uma verdadeira radiografia do lote, indicando o vigor e o potencial de armazenamento do material. “O teste de tetrazólio mostra como a semente está naquele momento, naquela condição de colheita. Se a qualidade é alta, o produtor pode armazenar com mais tranquilidade. Se é baixa, é preciso repensar todo o sistema de produção”, afirma o pesquisador.
Henning diz também que a presença de patógenos nem sempre inviabiliza o uso da semente, desde que os testes indiquem bom vigor. “Se o tetrazólio mostra que a semente está viável, muitos problemas sanitários podem ser resolvidos com um tratamento de sementes bem feito. Os testes de Patologia e de Tetrazólio juntos dão respostas de grande valor ao produtor”, explica Henning.
Ele alerta ainda para o uso indiscriminado do termo “vigor”, cada vez mais comum no campo. “Existem vários testes de vigor, e cada um mede aspectos diferentes. Não é qualquer teste que serve para qualquer situação. É fundamental ter um bom suporte técnico e um laboratório capacitado para indicar o teste certo no momento certo”, recomenda o pesquisador.
Nesta safra, fatores como altas temperaturas, esverdeamento, enrugamento dos grãos e chuvas em pré-colheita podem impactar negativamente a qualidade das sementes, aumentando danos mecânicos, danos por umidade e a incidência de fungos. “A pesquisa oferece respostas para muitos desses estresses. Investir em qualidade de sementes não é custo, mas estratégia. Identificar problemas é importante, mas evitá-los, com planejamento, testes adequados e suporte técnico, é o caminho mais eficiente para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade nas próximas safras”, ressalta Henning.
MANEJO EFICIENTE DE PERCEVEJOS
Outro tema de destaque no Safratec será o manejo adequado de percevejos: um dos principais desafios da produção de soja, especialmente nos sistemas voltados à produção de sementes, onde os critérios de qualidade são ainda mais rigorosos. O pesquisador Samuel Roggia, da Embrapa Soja, pretende abordar estratégias práticas para aumentar a eficiência do controle da praga e reduzir impactos na qualidade da soja.
De acordo com o pesquisador, o manejo de percevejos deve ser encarado como um processo integrado, que envolve desde a correta amostragem da praga, passando pela tomada de decisão, até a aplicação e escolha adequada dos inseticidas, considerando o estágio da cultura e as características da população de percevejos em cada região. “O objetivo é mostrar como essas etapas, quando bem executadas, impactam diretamente a qualidade dos grãos e, principalmente, das sementes”, explica Roggia.
Entre os principais gargalos enfrentados pelos produtores, dois pontos se destacam: a dificuldade na amostragem eficiente e a aplicação no momento correto. De acordo com Roggia, a intensidade dos ataques, o momento de ocorrência e até o estágio da cultura em que os percevejos aparecem variam de ano para ano e entre regiões. “Não existe uma regra geral. Em algumas safras o ataque ocorre mais cedo, em outras mais tarde, e isso muda completamente a estratégia de manejo”, ressalta.
No sistema de produção de sementes, o manejo inadequado de percevejos pode comprometer atributos essenciais da soja, como germinação e vigor. Por isso, a combinação entre monitoramento constante e tomada de decisão no momento correto é considerada determinante para garantir sementes de alta qualidade. “O percevejo afeta diretamente a semente. Quando o manejo falha, os prejuízos não são apenas quantitativos, mas qualitativos”, destaca Roggia.
Outro tema a ser abordado é o uso de armadilhas para monitoramento de percevejos, uma linha de pesquisa em evolução. Embora algumas tecnologias, como armadilhas automatizadas, ainda estejam em fase inicial, avanços importantes já foram obtidos na definição de critérios para a tomada de decisão. “Estamos na segunda safra de estudos que buscam indicar, por exemplo, a partir de quantos percevejos coletados na armadilha o controle deve ser realizado. Ainda não há uma recomendação oficial, mas é importante comunicar ao setor produtivo que essas soluções estão em desenvolvimento”, conclui.
INOCULAÇÃO DA SOJA
O pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja, irá abordar as boas práticas na adoção da inoculação em soja e como aumentar a produtividade e a rentabilidade. A coinoculação combina a inoculação das sementes de soja com bactérias fixadoras de nitrogênio (N), conhecidas como rizóbios, com o uso do Azospirillum, uma bactéria promotora de crescimento.
A coinoculação proporciona vários benefícios, como aumento da área radicular, o que possibilita maior aproveitamento dos fertilizantes e favorece a planta em situações de estresse hídrico e incremento da produtividade pela maior capacidade de absorção de nutrientes e água pelas raízes. Quanto aos nutrientes, observa-se maior vigor das plantas e equilíbrio nutricional, pelo melhor aproveitamento dos nutrientes do solo e dos fertilizantes. Cabe, ainda, observar que o maior desenvolvimento radicular com Azospirillum também resulta em maior nodulação e, consequentemente, maior contribuição da fixação biológica do nitrogênio. Seu uso reduz o aporte de fertilizantes químicos, particularmente os nitrogenados, reduzindo o gasto com insumos.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Manejo do Solo e Mitigação da Seca: Um dos grandes destaques é o uso da braquiária para recuperar solos compactados. Pesquisas demonstraram que as raízes da soja conseguem romper barreiras físicas e buscar água em profundidade quando o solo é bem manejado, mantendo o vigor da lavoura mesmo após 15 dias sem chuva (veranico).
- Qualidade e Vigor das Sementes: A Embrapa enfatiza que semente de qualidade é estratégia, não custo. Foram destacados testes como o de Tetrazólio (Tz) para "radiografar" o vigor dos lotes e o uso de kits para reduzir danos mecânicos na colheita. O alerta principal é para o ponto correto de umidade na colheita e o tratamento sanitário adequado.
- Controle de Pragas e Biotecnologia: O manejo integrado de percevejos é vital, especialmente para sementes, onde o ataque afeta diretamente o vigor. Além disso, a técnica da coinoculação (uso de rizóbios + Azospirillum) foi apresentada como solução para aumentar o sistema radicular, melhorar a absorção de nutrientes e reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados.
Com informações: Sistema Ocepar.




















