UEPG afasta servidor que interrompeu evento e solicita investigação
Situação ocorreu durante a finalização de uma palestra sobre misoginia e discursos de ódio no ambiente das redes
Publicado: 04/04/2025, 16:16

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) anunciou, na manhã desta sexta-feira (04), o afastamento de um servidor que interrompeu uma palestra do 9º Colóquio Mulheres e Sociedade, evento promovido pelo curso de Jornalismo. O caso foi registrado na última quinta-feira (03).
Com participação de Lola Aronovich, Zilda Mara Consalter e Eloni dos Santos Perin, o painel teve como tema “Misoginia e discursos de ódio no ambiente das redes”. Um vídeo da transmissão da palestra mostra o momento em que o servidor interrompe o andamento do evento - assista:
O vídeo mostra que o servidor pede a palavra no momento em que a cerimonialista realiza o encerramento do evento. O homem fala que não pode deixar de fazer uma observação e afirma que não é machista. "Eu gostaria de pedir às mulheres que, por favor, deixem eu falar. Só um comentário. Não é um comentário machista. Eu preciso falar. Eu peço a consideração dessa mesa para me ouvir", diz o funcionário público.
A cerimonialista reforça que o encerramento da palestra está em andamento, mas o servidor pede para falar novamente e afirma que, caso isso não ocorra, passará a "pensar diferente a partir de hoje". "Eu quero deixar bem claro: não sou machista. Se vocês não deixaram eu comentar, vocês não irão saber. Vocês vão sair daqui com um julgamento errado. Eu não gostaria de sair daqui com um julgamento sem voz", continua.
Após as colocações, a professora Karina Janz Woitowicz, uma das organizadores do evento, explica ao servidor que o bloco de três perguntas havia sido finalizado e que, também por conta do horário, a atividade estava sendo encerrada. "As falas não são qualquer julgamento sobre o outro e sequer sobre, genericamente, qualquer acusação sobre os homens serem machistas. Não se trata disso", reforçou a docente.
APURAÇÃO - Em nota encaminhada à imprensa, a UEPG informou que a reitoria solicitou à Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) a abertura de uma sindicância para apurar o fato. A instituição ainda destacou que atua contra todas as formas de assédio e discriminação e reforça que a comunidade tem a Ouvidoria e canal de escuta da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) à disposição.
REPÚDIO - Ainda na tarde de quinta-feira (03), o Centro Acadêmico João do Rio (Cajor), órgão de representação discente, divulgou uma nota nas redes sociais em que repudia o ocorrido. Veja o comunicado na íntegra:
O Centro Acadêmico João do Rio (Cajor), do curso de Jornalismo da UEPG, repudia todo tipo de prática que humilhe a dignidade humana, que propague a misoginia e o mansplaining. O Cajor se solidariza com aqueles que se sentiram atingidos por tais atos e se coloca à disposição para colaborar com ações sociais e movimentos estudantis, a fim de coibir essas práticas.
O encerramento da palestra de abertura do 9º Colóquio Mulheres e Sociedade, realizado pelo projeto de extensão Elos e pelo grupo de pesquisa Jornalismo e Gênero, foi interrompido de forma desrespeitosa e agressiva, o que causou constrangimento. É inaceitável qualquer atitude desrespeitosa nas dependências da universidade.
Com a estarrecedora realidade onde a cada dois segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil, não se deve aceitar sob qualquer hipótese que, em nome da liberdade de expressão, um servidor da UEPG dispare qualquer ofensa publicamente, faltando com o decoro que o cargo requer. Lamentamos a situação e pedimos que sejam tomadas as devidas providências. O Cajor se atentará ao Colegiado de Jornalismo para que medidas necessárias sejam adotadas dentro do curso, evitando que situações como essa voltem a ocorrer.