Aeroporto Sant'Ana não é suficiente para acompanhar o desenvolvimento de PG
Conselheiro, médico e professor entende que a cidade deve pensar na construção de um novo aeroporto

O conselheiro de Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemor Netto, explica que Ponta Grossa precisa de um novo aeroporto. Para ele, o Aeroporto Sant'Ana não é suficiente para acompanhar o crescimento da cidade - o debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede.
O médico também lembra o desgaste econômico aos ponta-grossenses, já que o dinheiro gasto com viagens para outras cidades, com aeroportos, impede que a moeda circule na economia do município. Além disso, destaca a falta de geração de empregos com a ausência de funcionamento do Aeroporto Sant'Ana.
Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, pesquisador, professor e presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG):
"Na medicina, um organismo em fase de rápido crescimento muscular exige um sistema respiratório de altíssima performance. Ponta Grossa é esse organismo: uma cidade em plena hipertrofia industrial e econômica. No entanto, o boletim médico de hoje marca uma data crítica: nosso sistema respiratório aéreo - o Aeroporto Sant’Ana - completa exatamente um ano em 'parada cardiorrespiratória' comercial, sem operar voos regulares desde março de 2025.
O que muitos tratam apenas como um entrave de infraestrutura é, na verdade, uma patologia grave que drena a vitalidade do nosso corpo social e econômico.
O Custo da Doença: Hemorragia de Tempo e o 'Leakage' Financeiro
A inatividade do nosso aeroporto não significa que as células do nosso organismo pararam de se movimentar; significa que estamos gastando o dobro de energia para fazê-lo. A ciência econômica diagnostica isso como uma inflamação no Preço Total da Viagem (FPT).
Ao sermos forçados a usar 'artérias rodoviárias' para acessar aeroportos em outras cidades, o paciente ponta-grossense sofre uma hemorragia silenciosa. Estudos indicam que a perda do aeroporto local encarece os custos de viagem em até 29% e gera um dreno no tempo produtivo de até 45%. Mais grave ainda é a síndrome do 'Leakage' (vazamento): o capital que deveria nutrir o comércio e serviços de Ponta Grossa é 'excretado' em outras regiões. Dados técnicos confirmam que cada 100 passageiros perdidos custam um posto de trabalho regional permanente.
A Problemática: O Limite Anatômico e a Negligência Estadual
O Sant’Ana padece de uma anomalia anatômica severa. Nossa 'traqueia' (a pista de pouso) possui apenas 1.430 metros, estreita demais para a oxigenação exigida por jatos comerciais modernos. A solução exige uma cirurgia de expansão para 2.500 metros.
O grande 'tumor' que impede essa expansão é a linha férrea próxima, cuja cirurgia de rebaixamento custa R$ 70 milhões. Enquanto cidades como Pato Branco (R$ 48 milhões), Guarapuava (R$ 100 milhões) e Cascavel recebem pesadas 'suplementações vitamínicas' do Governo do Estado, Ponta Grossa sofre de uma assimetria metabólica. Historicamente, o Sant’Ana não tem sido priorizado no planejamento estadual com a mesma sensibilidade verificada em outros terminais paranaenses.

A Solução Definitiva: O Transplante e a 'Aerotrópole'
Para curar essa doença a longo prazo, precisamos admitir uma verdade clínica: o Sant’Ana pode não suportar o tamanho que Ponta Grossa terá nas próximas décadas. É necessária a indicação de um transplante de órgão.
Como prescreveu o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, o planejamento deve focar na construção de um novo aeroporto, possivelmente na região da BR-376. Este novo sítio funcionaria como um pulmão expandido, capaz de suportar o conceito de Aerotrópole - onde o tecido comercial e industrial se ramifica diretamente do aeroporto. Nesse modelo, a 'economia de velocidade' substitui a distância física como o principal nutriente para a competitividade.
O Prognóstico: Terapia de Duas Etapas
Um transplante de pulmão tem uma gestação demorada (até 10 anos). Nosso organismo não sobreviverá na UTI logística por uma década. O protocolo exige frentes simultâneas:
- Suporte de Vida Imediato (Curto Prazo): finalizar as obras de R$ 35 milhões no Sant’Ana e lutar pela concessão federal em bloco para atrair um operador privado experiente. Precisamos de 'fisioterapia respiratória' com voos regionais imediatos para estancar a hemorragia econômica;
- Preparação para o Transplante (Longo Prazo): iniciar imediatamente o estudo técnico de viabilidade para o novo aeroporto. Quando este órgão entrar em operação, o Sant’Ana atuará como um órgão auxiliar para a aviação executiva;
Ponta Grossa é um gigante vivo. Para que esse gigante não sofra um infarto de competitividade e no nosso futuro, ele precisa, urgentemente, voltar a respirar o ar da aviação comercial.
Resumo
- Impacto de 100 passageiros: Gera 1 emprego regional permanente;
- Impacto de 1 embarque: Adiciona US$ 1.299 em atividade econômica na cidade;
- Custo da Inatividade: Voar por outra cidade custa ao ponta-grossense até 29% mais caro;
- Dano Ambiental: O fechamento do aeroporto local aumenta em 14% as emissões de CO2 devido ao deslocamento rodoviário excessivo".
Conselho da Comunidade
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.
Leia abaixo um resumo do artigo
- Hemorragia Econômica e Social: o autor destaca que a inatividade do aeroporto local força os moradores a buscarem terminais em outras cidades, gerando um custo de viagem 29% mais alto e perda de tempo produtivo. Esse "vazamento" financeiro impede que o dinheiro circule em Ponta Grossa, custando postos de trabalho — tecnicamente, estima-se que cada 100 passageiros perdidos representem um emprego regional a menos;
- Limitações e "Assimetria" de Investimento: o Sant’Ana sofre de uma "anomalia anatômica": a pista curta e o entrave da linha férrea (cuja correção custaria R$ 70 milhões). Montemor aponta que, enquanto cidades como Cascavel e Guarapuava receberam "suplementação vitamínica" (investimentos pesados) do Governo do Estado, Ponta Grossa enfrenta uma negligência histórica no planejamento aéreo estadual;
- Terapia de Duas Etapas (Curto e Longo Prazo): a solução proposta é mista. Imediatamente, deve-se concluir as obras de R$ 35 milhões no Sant’Ana para estancar a perda econômica com voos regionais. Porém, para o futuro, o "prognóstico" exige um transplante: a construção de um novo aeroporto próximo à BR-376, focado no conceito de Aerotrópole, onde a indústria e o comércio se conectam diretamente à velocidade da aviação.




















