Preço da ureia atinge maior patamar desde 2022
Fertilizante acumula alta de até 60% em um mês, mas baixa demanda interna no Brasil após o fim da safra de milho limita impactos imediatos

O mercado global de fertilizantes enfrenta uma escalada de preços sem precedentes nos últimos dois anos. Em pouco mais de um mês, a tonelada da ureia saltou de US$ 475 para patamares entre US$ 730 e US$ 760 (CFR Brasil), refletindo a instabilidade geopolítica no Oriente Médio. A região é estratégica para o setor, concentrando 35% do comércio marítimo mundial do insumo.
Para o Brasil, o cenário é de alerta, embora o impacto imediato seja atenuado pelo calendário agrícola. Como o pico de compras para o milho de inverno encerrou-se em fevereiro, a demanda atual é restrita a culturas menores, como trigo e arroz. No entanto, analistas alertam que a manutenção desses valores pode comprometer a rentabilidade da futura safra de verão, caso as cotações não recuem até o início do novo ciclo de compras. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
DEPENDÊNCIA E GARGALOS DE PRODUÇÃO
O Irã, um dos principais fornecedores do Brasil, enfrenta dificuldades que vão além do conflito armado. Restrições no fornecimento de gás natural, insumo essencial para a fabricação da amônia (base da ureia), causaram uma quebra de produção estimada em 450 mil toneladas desde dezembro. Em 2025, o Irã e o Omã foram responsáveis por 18,4% das importações brasileiras de ureia.
Diferente da crise de 2022, marcada por temores de desabastecimento global e movimentos especulativos, o momento atual é de cautela. Com a relação de troca desfavorável, já que o preço das commodities agrícolas não acompanhou a subida dos fertilizantes, os produtores brasileiros estão retraídos, aguardando definições sobre a duração do conflito para retomar as negociações.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Explosão de Preços: A ureia subiu cerca de 60% em 30 dias, superando os US$ 730 por tonelada devido às tensões no Oriente Médio e problemas na produção iraniana.
- Resistência Brasileira: O mercado interno apresenta baixa liquidez, pois os produtores já finalizaram as compras para o milho e evitam novos negócios devido à desvantagem econômica entre o custo do adubo e o preço de venda dos grãos.
- Risco para o Verão: Embora o Brasil esteja em uma posição confortável no curto prazo, a continuidade da alta representa uma ameaça direta aos custos de produção da safra de verão 2026/2027.




















