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Mercado de leite no Brasil busca recuperação gradual de preços em 2026

Após quedas generalizadas de preços e rentabilidade em 2025 por excesso de oferta, mercado se ajusta para moderar oferta e demanda

Quedas generalizadas impactaram na rentabilidade das indústrias e produtores rurais
Quedas generalizadas impactaram na rentabilidade das indústrias e produtores rurais -

Publicado por Eduarda Gomes

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O mercado brasileiro de leite e derivados começa 2026 em meio a um processo de ajustes em toda a cadeia produtiva diante do descompasso entre produção e consumo.

De acordo com as informações da analista de inteligência de mercado da StoneX, Juliana Torres, o mercado vive um cenário de margens significativamente mais apertadas desde segunda metade do ano passado por conta do excesso de oferta.

"O forte avanço da captação registrado em 2025, impulsionado por um ciclo favorável ao produtor, com boa rentabilidade e custos relativamente controlados, resultou em um desequilíbrio relevante entre oferta e demanda, pressionando preços e margens ao longo do último ano", destacou.

Diante desse cenário, a expectativa é de manutenção da captação para esse ano, mas sem novos saltos, acompanhando um processo gradual de ajuste entre preços, oferta e demanda. "A queda das margens observadas no final do ano passado deve trazer alguma moderação ao volume captado de leite para 2026, especialmente a partir do segundo trimestre", informou.

Ainda segundo as informações da consultoria, os ajustes no mercado já começaram a ser observados nos derivados e no mercado de leite spot, que registrou alta em janeiro, após um segundo semestre de 2025 marcado por quedas consecutivas, o que indica um ambiente de oferta e demanda mais firme entre as indústrias.

A consultoria prevê uma tendência de recuperação gradual e progressiva para o setor, na qual a trajetória semelhante foi observada no início de 2024. A analista ainda pontua que esse cenário estará condicionado à capacidade do mercado de absorver a oferta disponível.

MERCADO INTERNO

Com a queda nos preços, os produtos estão mais acessíveis ao consumidor final e contribuindo para a sustentação e estímulo do consumo. Ao longo de 2025, os preços de leites e derivados ao consumidor no IPCA (Índice de preços ao consumidor) acumularam deflação de 3,6%, em contraste com a alta de 4,2% do índice geral. Já em janeiro deste ano houve uma retração de 2,3% frente a dezembro do ano passado.

A analista ainda ponta que o recuo foi mais intenso no produtor e no atacado do que no varejo, há espaço para algum avanço no repasse ao consumidor ao longo de 2026.

"Esse repasse, porém, tende a ser parcial e condicionado ao comportamento da renda das famílias, à resposta da demanda e às estratégias de precificação e promoção adotadas pelo varejo, o que pode concentrar parte da recomposição de margens nesse elo da cadeia", disse.

MERCADO EXTERNO

As importações de lácteos que encerraram 2025 em níveis elevados, mas abaixo dos registrados em anos anteriores. De acordo com a analista, em janeiro de 2026, houve aumento mensal, mas os volumes permanecem inferiores aos observados em 2024 e 2025, sinalizando menor apetite importador no início deste ano.

“Apesar disso, os embarques externos seguem relevantes para a oferta doméstica, embora o principal fator de disponibilidade continue sendo o forte crescimento da produção interna registrado no último ano”, afirmou.

Com relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia surge como um elemento adicional de atenção para o mercado lácteo a partir de 2026.

A redução gradual de tarifas e a criação de cotas para produtos como leite em pó, manteiga e queijos não configuram livre comércio pleno, mas representam uma abertura controlada ao longo de até dez anos.

Para a analista, esse movimento tende a intensificar a concorrência, ampliando o potencial de entrada de produtos europeus, tradicionalmente mais estruturados e de maior valor agregado, em um mercado já desafiado por custos, produtividade e volatilidade.

“Enquanto as exportações do Mercosul para a União Europeia permanecem residuais, as importações oriundas do bloco europeu já são relevantes, e as novas cotas ampliam esse espaço acima dos padrões históricos. O cenário reforça a necessidade de ajustes, ganhos de eficiência e estratégias mais competitivas por parte da cadeia láctea regional ao longo dos próximos anos”, pontuou a analista.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Ajuste entre Oferta e Demanda: Após um 2025 de alta captação e margens apertadas para o produtor, o setor inicia 2026 em busca de equilíbrio. A expectativa é de uma produção mais moderada, especialmente a partir do segundo trimestre, para corrigir o excesso de oferta que pressionou os preços no ano anterior.

- Consumo e Preços ao Consumidor: A deflação acumulada nos lácteos (queda de 3,6% no IPCA de 2025) tornou os produtos mais acessíveis, estimulando o consumo. Para 2026, espera-se uma recuperação gradual dos preços no varejo, embora o repasse dependa da capacidade de renda das famílias.

- Desafios Externos e Mercosul-UE: As importações começaram o ano em níveis inferiores aos de 2024/2025, mas o acordo Mercosul-União Europeia traz novas preocupações. A abertura gradual do mercado para queijos e leites europeus (com prazos de até 10 anos) exigirá que a cadeia nacional ganhe eficiência para enfrentar a concorrência.

Com informações: CNN Brasil.

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