Agro mira abertura de feijão e tarifas de frango em viagem de Lula à Índia
Governo mira “sonho indiano” para abrir mercados em diversas frentes, enquanto asiáticos buscam abrir mercado da romã no Brasil

A equipe de agricultura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara os últimos detalhes para a agenda bilateral entre Brasil e Índia durante a viagem ao país na próxima terça-feira (17).
Um dos focos principais é a abertura de mercado para produtos agrícolas brasileiros, com negociações em torno do feijão-guandu e da redução de barreiras tarifárias ao frango brasileiro.
Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Luis Rua, a equipe negociadora trabalha para avançar em dois pontos centrais:
A abertura sanitária para exportação do feijão-guandu brasileiro;
Discussão sobre as tarifas indianas que hoje chegam a cerca de 100% para cortes de frango.
“Estamos trabalhando mais na questão do feijão guandu, que tem um potencial enorme e está com as tratativas técnicas avançadas, e das tarifas, por exemplo, dos cortes de frango”, afirmou Rua.
A ideia do governo brasileiro é estruturar um mecanismo de previsibilidade comercial, possivelmente com uma cota específica para os cortes de frango, ainda em negociação. Segundo o secretário, o desenho final dependerá das conversas com o governo indiano.
“Essa é a ideia, mas ainda precisamos escutar o lado indiano”, disse.
A Índia é o maior consumidor mundial do grão, base da alimentação local, mas enfrenta oscilações de produção e recorre ao mercado externo em anos de quebra de safra.
O Brasil aparece como fornecedor competitivo, com produção concentrada no Centro-Oeste e no Nordeste, e capacidade de embarques caso haja acesso ao mercado.
Produtos como DDG (subproduto do etanol de milho), farinhas de origem animal, madeira e erva-mate aparecem no radar das tratativas regionais, ainda em estágio inicial, e fazem parte do esforço do governo para diversificar a pauta exportadora brasileira no continente.
As tratativas entre os dois países também envolvem demandas do lado indiano. Entre elas está o interesse em avançar na abertura do mercado brasileiro para a romã produzida no país asiático, pauta que aparece nas conversas como parte de uma tentativa de ampliar o comércio agrícola em duas vias.
"Sonho indiano"
A avaliação dentro do governo é que a presença presidencial pode dar peso político às negociações comerciais e reforçar a estratégia de diversificação de mercados do agronegócio, especialmente em países de grande consumo interno.
A relação comercial entre Brasil e Índia vêm ganhando relevância nos últimos anos. A corrente de comércio bilateral gira em torno de US$ 12 bilhões anuais, ainda considerada modesta diante do tamanho das duas economias, mas com meta oficial dos governos de ampliar o volume para cerca de US$ 20 bilhões até o fim da década.
Avançar com as negociações em um país com mais de 1,4 bilhão de pessoas é um “sonho indiano” que o governo brasileiro ainda nutre.
A Ásia já responde por quase metade das exportações do agronegócio brasileiro, e o governo avalia que a expansão de mercados na região é essencial para sustentar o crescimento das vendas externas do setor nos próximos anos.
A viagem de Lula ocorre a convite do primeiro-ministro Narendra Modi e inclui encontros bilaterais, participação na Cúpula de Inteligência Artificial e agenda com empresários no Fórum da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), onde temas como segurança alimentar, inovação agrícola e cooperação comercial devem entrar na pauta.
O presidente participa da abertura da Cúpula de Inteligência Artificial nos dias 19 e 20 e encerra o Fórum Empresarial no dia 21, quando também inaugura o escritório da ApexBrasil em Nova Délhi.
A agenda bilateral prevê ainda a assinatura de atos entre os dois países e discussões sobre a ampliação do acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia.
Informações: CNN




















